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Leitura

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Mariana Klafke

on 30 April 2013

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Transcript of Leitura

O que é leitura? Foco no leitor! Contribuição para
pensar a docência Para Maria Helena Martins, ler é dar sentido ao mundo, através de um processo de interação entre condições interiores (subjetivas – cognitivas) e exteriores (objetivas – sociais). A leitura seria um processo de compreensão de expressões, formais e simbólicas, não importando por meio de que linguagem. Para a autora, a leitura é um processo complexo, que vai além do texto e começa antes dele, sendo necessário levar em conta os papéis do leitor e do contexto. Concepção bastante ampla de leitura. Para Maria Helena Martins, o leitor é alguém capaz de dar sentido ao mundo, sob uma perspectiva cognitivo-social, levando em conta suas capacidades tanto de deciframento quanto de compreensão, e considerando a leitura, ao mesmo tempo, um processo cognitivo e uma experiência particular e social. A autora aponta que o leitor realiza a experiência da leitura em diversos níveis (sensorial, emocional, racional) inter-relacionados. Conceber educação como transmissão de conhecimento, na visão de Maria Helena Martins, é um desrespeito com o educando. A autora aponta ainda que a leitura em sala de aula está muitas vezes restrita ao livro didático, que frequentemente é um material ineficiente, restrito, manipulado, pouco estimulante. O papel do educador no aprendizado da leitura é muito mais do que alfabetizar e dar acesso aos livros. Trata-se de criar condições para que o educando possa aprender a ler cada vez mais e melhor, ampliando constantemente seu repertório de leitura e atuando no mundo através disso. Para Paulo Freire, a leitura da palavra é sempre precedida pela leitura do mundo. Freire coloca o foco de sua reflexão na relação entre texto e contexto, afirmando que há uma relação dinâmica que vincula linguagem e realidade. O autor apresenta uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação da escrita, mas que antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura seria uma prática política, que pode influenciar nossa capacidade de transformar o mundo através de práticas conscientes. Para Paulo Freire, o leitor é um sujeito ativo no processo de leitura. Para exemplificar, segue uma citação de Freire no artigo “O povo diz sua palavra ou a alfabetização em São Tomé e Príncipe”, parte do livro A importância do ato de ler: “O que se quer é a participação efetiva do povo enquanto sujeito, na reconstrução do país, a serviço do que a alfabetização e a pós-alfabetização se acham. (...) O contrário da manipulação, como do espontaneísmo, é a participação crítica e democrática dos educandos no ato de conhecimento de que também são sujeitos” (p, 46). O autor vê a leitura como “ato político e ato de conhecimento, comprometida com o processo de aprendizagem da escrita e da leitura da palavra, simultaneamente com a 'leitura' e a 'reescrita' da realidade” (p. 48) e afirma que “a atitude de sujeito curioso e crítico é o ponto de partida fundamental a começar na alfabetização” (p. 52). Paulo Freire nos leva a questionar o mito da neutralidade da educação e a conceber a educação como prática política. A educação é uma prática concreta de libertação e construção da história. O autor nos ensina ainda a importância de “reconhecer nos outros – não importa se alfabetizandos ou participante de cursos universitários; se alunos de escolas de primeiro grau ou se membros de uma assembleia popular – o direito de dizer a sua palavra” (p. 30), e, o mais importante: “ninguém tudo sabe e ninguém tudo ignora” (p. 32). Para Mary Kato, que apresenta uma perspectiva mais cognitivista, a leitura é um processo mental que mobiliza diversas estratégias, competências, habilidades. A autora não negligencia os aspectos sociais e interacionais da leitura, mas o que seu texto nos traz de esclarecimentos está mais ligado a questões cognitivas. Mary Kato nos fala dos diversos métodos de alfabetização, dos fatores facilitadores e dos pré-requisitos para a aquisição de leitura, dos diversos processos de decodificação, das estratégias que o leitor pode usar para realizar a leitura. Mary Kato relativiza a importância dada à escolha de um método para ensinar a ler e a escrever e nos leva a compreender a possibilidade de articular diversas estratégias para chegar a uma leitura proficiente, bem como nos permite compreender quais são e como se dão os processos mentais mobilizados para as atividades de leitura. Para Mary Kato, o leitor é um indivíduo que mobiliza diversas capacidades e se vale de diversas estratégias para realizar a leitura. Para Leffa, a leitura é um fenômeno cognitivo e social. Creio que a palavra-chave para compreender este autor é “interação”. O autor apresenta três abordagens teóricas para pensar a leitura: abordagem ascendente (com ênfase no texto, vê o sentido como algo a ser extraído), abordagem descendente (ênfase no leitor, vê o sentido como algo a ser atribuído), abordagem conciliadora (concilia o texto com o leitor, e vê o sentido como algo a ser construído na interação entre ambos). Percebe-se que o autor elege esta última perspectiva como mais adequada. Para Leffa, o leitor é um indivíduo que interage com o texto, construindo sentidos em um processo dialógico. Leffa vê “o texto como uma rede colocada na base do processo, pretensamente protegendo o leitor na eventualidade de uma queda; acima do texto, vemos o leitor, pairando em algum lugar do espaço, assumindo riscos maiores ou menores nas suas evoluções, com maior ou menor grau de confiança na segurança da rede” (p. 13). O autor ainda chama a atenção para o fato de que o leitor não está sozinho diante do texto, mas faz parte de uma comunidade consumidora de textos, tratando inclusive de comunidade discursiva. Leffa nos leva a valorizar tanto o texto quanto o leitor no processo de leitura, vendo a interação entre o que está escrito e a experiência do leitor como o que leva à construção de sentidos. O autor ainda nos chama a atenção para o caráter coletivo, e não individual, da leitura, que é exercida dentro de uma comunidade que tem suas regras e convenções. “Ler é um verbo de valência múltipla: não se lê apenas adverbialmente, mas também direta e indiretamente, de modo acusativo e ablativo. Isto é, o leitor não lê apenas muito ou pouco; ele lê algo com alguém e para alguém” (p. 34). Para Birman, a leitura é uma experiência, perpassada pelo desejo, pela fruição, por momentos de reconhecimento, de compreensão, de estranhamento, de reordenamento, em constante oscilação. É um experiência fundamental na constituição do sujeito, que é desnudado pelo texto e descobre algo sobre si mesmo. O foco de Birman é a relação do leitor com o texto, inclusive considerando que as práticas de leitura e as relações sociais envolvidas mudam no decorrer da história. A leitura é o outro da escritura (espaço mútuo de afetação). Birman nos leva a pensar a leitura como um processo mais complexo e profundo do que simplesmente algo que se resuma à compreensão racionalizada do que está escrito, visão muito comum na escola. A leitura é fundamental na constituição do sujeito, e o autor afirma que é mais uma forma de aprimoramento da sensibilidade do que de educação. Para Birman, o leitor é um sujeito como compreendido pela psicanálise: perpassado pelo desejo e portador de um corpo erógeno que participa da experiência de leitura, que é uma espécie de transgressão (revela o sujeito, constrói novos sentidos). Para Jouve, o leitor interage com o texto, completando suas lacunas, antecipando pontos, confirmando ou corrigindo suas previsões, etc., mas respeitando certa programação do texto, e cumprindo um contrato de leitura. A leitura é um processo que implica a desestabilização e desterritorialização do leitor, e inclui processos de contemplação, participação, implicação, observação, etc. Acredito que há uma contribuição especialmente notável que fica da leitura de Jouve para pensar a prática de docência em Português e Literatura: a leitura não é unívoca, mas nem toda leitura é possível - há lacunas a serem preenchidas com a experiência do leitor, em diversos sentidos, mas há uma programação no texto que permite algumas leituras e desautoriza outras. Para Jouve, a leitura é uma atividade complexa e plural, que se desenvolve em várias direções. Ele aponta cinco dimensões, baseado em Gilles Thérien: 1) a leitura é um processo neurofisiológico; 2) a leitura é um processo cognitivo; 3) a leitura é um processo afetivo; 4) a leitura é um processo argumentativo; 5) a leitura é um processo simbólico. A leitura é uma interação produtiva entre o texto e o leitor. O autor trabalha com a noção de recepção, com foco, portanto, na interação entre texto e leitor, tanto em um sentido mais particular e singular quanto no sentido social e histórico, sempre com exemplos literários. Como a leitura é definida pelos autores que estudamos até aqui. Em todas as perspectivas vistas, em diferentes medidas, o foco mais evidente entre os elementos da tríade da leitura (texto – autor – leitor) é o leitor; vejamos como cada autor o define. Quais as contribuições que cada perspectiva teórica vista nos traz para pensar o ensino de língua portuguesa? REFERÊNCIAS

BIRMAN, J. “O sujeito na leitura”. In: _________. Por uma estilística da existência. São Paulo: Editora 34, 1996.

FREIRE, P. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1983.

JOUVE, Vi. A leitura. São Paulo: Editoa UNESP, 2002.

KATO, M. O aprendizado da leitura: uma perspectiva psicolinguística. São Paulo: Martins Fontes, 1985.

LEFFA, V. O ensino da leitura e produção textual. Pelotas: EDUCAT, 1999.

MARTINS, M. H. O que é leitura? São Paulo: Brasiliense, 1982.
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