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Arcadismo

Neoclassicismo - Pré-Romantismo
by

Alexandre Martinês

on 9 February 2013

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Transcript of Arcadismo

ARCADISMO NEOCLASSICISMO Em 1756, funda-se a Arcádia Lusitana (símile da Arcádia Romana, fundada em 1690, em Roma [...] com sua divisa - inutilia truncat - desejam testemunhar o repúdio às "coisas inúteis" que adornavam pesadamente na poesia barroca. Julgando que esta correspondera ao desequilíbrio e à decadência dos valores clássicos, querem restaurar a supremacia da autêntica poesia clássica.[...] À Antiguidades greco-latina retomam a ideal, mitológica Arcádia, região grega de pastores e poetas vivendo em meio a uma Natureza sempre idílica, localizam seus sonhos de plenitude poética. Adotam pseudônimos pastoris para que o "fingimento poético" seja maior e imaginam-se vivendo num mundo habitado por deuses e ninfas , numa Natureza e num tempo fictícios, utópicos.

MASSAUD MOISÉS O nome Arcádia veio da lendária região da Grécia antiga dominada pelo deus Pan e habitada por pastores que se divertiam com canções de amor e pugnas poéticas, caracterizadas pela simplicidade e espontaneidade. [...]
Os membros da Arcádia chamavam-se pastores, cada um deles adotavam um nome pastoril, grego ou latino, sendo o presidente o Guardião Geral. No Brasil, o movimento arcádico vingou com os poetas da chamada escola Mineira. [...]
Incorporando qualidades novas - o individualismo e o sentimento da natureza - o Arcadismo mineiro é o início propriamente do lirismo pessoal brasileiro. [...] É um passo novo, uma contribuição que através da forma e da sensibilidade arcádica e adaptando a temática de origem clássica ao ambiente e ao homem locais, com sentimento e emoções específicas, conduz a literatura brasileira para a autonomia artística. É a transição da fase puramente portuguesa para a fase brasileira.

AFRÂNIO COUTINHO A poesia pastoral, como tema, talvez esteja vinculada ao desenvolvimento da cultura urbana, que, opondo as linhas artificiais da cidade à paisagem natural, transforma o campo num bem perdido, que encara facilmente os sentimentos de frustração. Os desajustamentos da convivência social se explicam pela perda da vida anterior, e o campo surge como cenário de uma perdida euforia. O pré-romantismo não chega a um estilo autônomo, mas uma corrente de sensibilidade que afeta todo o século XVIII e responde às inquietudes de um grupo e pessoas corroídas por um agudo mal-estar em relação a certos padrões morais e estéticos dominantes. É na obra de alguns poetas fortemente passionais do fim do século, que vai aflorando aquele humor melancólico, prenúncio do mal do século e do spleen românticos e claro signo do homem refratário à engrenagem da vida social; e é nesses poetas que a natureza se turva e passa da bucólica fonte serena a mar revoltoso e céu assombrado.

ALFREDO BOSI Casa No Campo
Elis Regina

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais Eu quero carneiros e cabras
Pastando solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais

Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos, meus livros e nada mais
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais ESTÉTICA
ÁRCADE FINGIMENTO POÉTICO
ENJABEMENT
LOCUS AMOENUS
AUREAS MEDIOCRITAS
FURGERE URBEM
INUTILIA TRUNCAT
CARPE DIEM PROPOSTAS
ÁRCADES IMITAÇÃO DOS CLÁSSICOS
MITO DO BOM SELVAGEM
NEOPLATONISMO
AMOR CONVENCIONAL
PSEUDÔNIMO ÁRCADE
BUCOLISMO
PASTORALISMO
IDÍLIO ILUMINISMO
SIMPLICIDADE
HARMONIA
PRESENTE
RACIONALIDADE FUGERE URBEM LXIII
Já me enfado de ouvir este alarido,
Com que se engana o mundo em seu cuidado;
Quero ver entre as peles, e o cajado,
Se melhora a fortuna de partido.

Canse embora a lisonja ao que ferido
Da enganosa esperança anda magoado;
Que eu tenho de acolher-me sempre ao lado
Do velho desengano apercebido.

Aquele adore as roupas de alto preço,
Um siga a ostentação, outro a vaidade;
Todos se enganam com igual excesso.

Eu não chamo a isto já felicidade:
Ao campo me recolho, e reconheço,
Que não há maior bem, que a soledade.

Cláudio Manuel da Costa LOCUS AMOENUS Acaso são estes
Os sítios formosos.
Aonde passava
Os anos gostosos?
São estes os prados,
Aonde brincava,
Enquanto passava
O gordo rebanho,
Que Alceu me deixou?

São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.
Marília, tu chamas?
Espera, que eu vou.

Tomás Antônio Gonzagas INUTILIA TRUNCAT O ser herói, Marília, não consiste
Em queimar os Impérios: move a guerra,
Espalha o sangue humano,
E despovoa a terra
Também o mau tirano.
Consiste o ser herói em viver justo:
E tanto pode ser herói pobre,
Como o maior Augusto.

Tomás Antônio Gonzaga Se não tivermos lãs e peles finas,
podem mui bem cobrir as carnes nossas
as peles dos cordeiros mal curtidas,
e os panos feitos com as lãs mais grossas.
Mas ao menos será o teu vestidopor mãos de amor,
por minhas mãos cosido.

Tomás Antônio Gonzaga AUREA MEDIOCRITAS Se sou pobre pastor, se não governo
Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes;
Se em frio, calma, e chuvas inclementes
Passo o verão, outono, estio, inverno;
Nem por isso trocara o abrigo terno
Desta choça, em que vivo, co’as enchentes
Dessa grande fortuna: assaz presentes
Tenho as paixões desse tormento eterno

Cláudio Manuel da Costa CARPE DIEM Minha bela Marília, tudo passa;
A sorte deste mundo é mal segura;
Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça.

Tomás Antônio Gonzaga Ornemos nossas testas com as flores.
E façamos de feno um brando leito,
Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
Gozemos do prazer de sãos Amores.
Sobre as nossas cabeças,
Sem que o possam deter, o tempo corre;
E para nós o tempo, que se passa,
Também, Marília, morre.

Tomás Antônio Gonzaga FINGIMENTO POÉTICO Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’ expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,Graças à minha Estrela!

Tomás Antônio Gonzaga MITOLOGIA Tu não habitarás palácios grande,
Nem andarás no coches voadores;
Porém terás um Vate, que te preze,
Que cante os teus louvores.
O tempo não respeita a formosura;
E da pálida morte a mão tirana
Arrasa os edifícios dos Augustos,
E arrasa a vil choupana.

Tomás Antônio Gonzaga Ao mundo esconde o Sol

Ao mundo esconde o Sol seus resplendores
E a mão da noite embrulha os horizontes;
Não cantam aves, não murmuram fontes,
Não fala Pã na boca dos pastores,

Atam as ninfas, em lugar de flores,
Mortais ciprestes sobre as tristes frontes;
Erram, chorando, nos desertos montes,
Sem arcos, sem aljavas, os Amores.

Vénus, Palas e as filhas da Memória,
Deixando os grandes templos esquecidos,
Não se lembram de altares nem de glória.

Andam os elementos confundidos:
Ah, Jónia, dia de vitória
Sempre o mais triste foi para os vencidos!

Alvarenga Peixoto ESCRITORES ÁRCADES

LITERATURA BRASILEIRA CLÁUDIO MANUEL DA COSTA 1729 -1789 GLAUCESTE SATÚRNIO Cláudio Manuel da Costa destaca-se entre os poetas do tempo não só por haver inaugurado, com as Obras, a época arcádica: os vestígios barrocos na sua poesia, as vinculações dela com o quinhentismo português, expressas na acentuada dicção lusitana, e, sobretudo, o elevado padrão da sua inventividade lírica - constituem aspectos a considerar no exame de sua produção poética.

MASSAUD MOISÉS FINGIMENTO POÉTICO Sou pastor; não te nego; os meus montados
São esses, que aí vês; vivo contente
Ao trazer entre a relva florescente
A doce companhia dos meus gados;

Ali me ouvem os troncos namorados,
Em que se transformou a antiga gente;
Qualquer deles o seu estrago sente;
Como eu sinto também os meus cuidados.

Vós, ó troncos, (lhes digo) que algum dia
Firmes vos contemplastes, e seguros
Nos braços de uma bela companhia;

Consolai-vos comigo, ó troncos duros;
Que eu alegre algum tempo assim me via;
E hoje os tratos de Amor choro perjuros. SAUDADE CÓSMICA Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado;
E em contemplá-lo tímido esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado:
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era:
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera! Eu vs Cosmos = Amor Eu cantei, não o nego, eu algum dia
Cantei do injusto amor o vencimento;
Sem saber, que o veneno mais violento
Nas doces expressões falso encobria.

Que amor era benigno, eu persuadia
A qualquer coração de amor isento;
Inda agora de amor cantara atento,
Se lhe não conhecera a aleivosia.

Ninguém de amor se fie: agora canto
Somente os seus enganos; porque sinto,
Que me tem destinado estrago tanto.

De seu favor hoje as quimeras pinto:
Amor de uma alma é pesaroso encanto;
Amor de um coração é labirinto. BUCOLISMO E IDÍLIO Pouco importa, formosa Daliana,
Que fugindo de ouvir me, o fuso tomes;
Se quanto mais me afliges, e consomes,
Tanto te adoro mais, bela serrana.

Ou já fujas do abrigo da cabana,
Ou sobre os altos montes mais te assomes,
Faremos imortais os nossos nomes,
Eu por ser firme, tu por ser tirana.

Um obséquio, que foi de amor rendido,
Bem pode ser, pastora, desprezado;
Mas nunca se verá desvanecido:

Sim, que para lisonja do cuidado,
Testemunhas serão de meu gemido
Este monte, este vale, aquele prado. TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA 1744 - 1810 DIRCEU Marília de Dirceu e Cartas Chilenas encerram a porção válida do espólio de Tomás Antônio Gonzaga: a primeira movendo-se no perímetro da lírica, e a outra no da sátira, constituem faces complementares e mutualmente se explicam. A trajetória lírica desenvolveu-se ao longo de três fases: a primeira das quais abrange as composições escritas antes do namoro com Maria Doroteia, incluindo o tempo de Coimbra: sonetos, uma ode e liras representam as primícias do poeta.
A segunda fase da trajetória poética caracteriza-se pelo lirismo decorrente da ilusão de nutrir algum sentimento por Maria Doroteia e, simultaneamente, do empenho em conquistá-la. Na terceira fase, o episódio da Inconfidência viria patentear a autêntica índole do sentimento entre Tomás Antônio Gonzaga e Maria Doroteia, ao mesmo tempo que propiciaria o surgimento da verdadeira poesia, não oriunda de um sentimento mitificado, mas experimentado na carne e sublimado em poemas de alta pulsação estética. [...]
O poeta pôde exprimir o sentimento verdadeiro que o avassala, o da reclusão, o do destino incerto. MARÍLIA DE DIRCEU 1ª FASE Na 1ª parte estão os poemas escritos na época anterior à prisão do autor. Nela predominam as composições convencionais, as características arcádicas: o pastor Dirceu celebra a beleza de Marília em pequenas odes. Em algumas liras, entretanto, as convenções mal disfarçam a confissão amorosa do amor: a ansiedade de um quarentão apaixonado por uma adolescente; a necessidade de mostrar que não é um qualquer e que merece sua amada; os projetos de uma sossegada vida futura, rodeado de filhos e bem cuidado por suas mulher. Nesta 1ª parte das liras, o autor denota preferência pelo verso leve, tratado com facilidade. Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,Graças à minha Estrela! Na sua face mimosa,Marília, estão misturadas
Purpúreas folhas de rosa,
Brancas folhas de jasmim.
Dos rubins mais preciosos
Os seus beiços são formados;
Os seus dentes delicados
São pedaços de marfim. Vou retratar a Marília,
A Marília, meus amores;
Porém como? Se eu não vejo
Quem me empreste as finas cores:
Dar-mas a terra não pode;
Não, que a sua cor mimosa
Vence o lírio, vence a rosa,
O jasmim, e as outras flores.
Ah! Socorre, Amor, socorre
Ao mais grato empenho meu!
Voa sobre os Astros, voa,
Traze-me as tintas do Céu. 2ª FASE Já a 2ª parte foi escrita na prisão da ilha das Cobras, e os poemas exprimem a solidão de Dirceu, saudoso de Marília. Encontramos aí a melhor poesia de Gonzaga. Entende-se aqui que as características pré-românticas se fazem sentir mais agudamente. O sentimento da injustiça, da solidão, da saudade de Marília, o temor do futuro e a perspectiva da morte rompem constantemente o equilíbrio clássico. As convenções, embora ainda presentes, não sustentam o equilíbrio neoclássico. O tom confessional e o pessimismo prenunciam o emocionalismo romântico. Nesta 2ª parte das liras, há o emprego do verbo no passado: o poeta vive de lembranças e recordações passadas. Se me viras com teus olhos
Nesta masmorra metido,
De mil idéias funestas,
E cuidados combatido,
Qual seria, ó minha Bela,
Qual seria o teu pesar?
À força da dor cedera,
E nem estaria vivo, Esprema a vil calúnia muito embora
Entre as mãos denegridas, e insolentes,
Os venenos das plantas,
E das bravas serpentes.
Chovam raios e raios, no meu rosto
Não hás de ver, Marília, o medo escrito:
O medo perturbador,
Que infunde o vil delito.
Podem muito, conheço, podem muito,
As fúrias infernais, que Pluto move;
Mas pode mais que todas
Um dedo só de Jove. Morri, ó minha Bela:
Não foi a Parca ímpia,
Que na tremenda roca,
Sem Ter descanso, fia;
Não foi, digo, não foi a Morte feia
Quem o ferro moveu, e abriu no peito
A palpitante veia.
Eu, Marília, respiro;
Mas o mal, que suporto,
É tão tirano, e forte,
Que já me dou por morto:
A insolente calúnia depravada
Ergueu-se contra mim, vibrou da língua
A venenosa espada. 3ª parte Tu não verás, Marília, cem cativos
Tirarem o cascalho, e a rica, terra,
Ou dos cercos dos rios caudalosos,
Ou da minada serra.
Não verás separar ao hábil negro
Do pesado esmeril a grossa areia,
E já brilharem os granetes de ouro
No fundo da bateia.
Não verás derrubar os virgens matos;
Queimar as capoeiras ainda novas;
Servir de adubo à terra a fértil cinza;
Lançar os grãos nas covas. Tu, formosa Marília, já fizeste
Com teus olhos ditosas as campinas
Do turvo ribeirão em que nascestes;
Deixa, Marília, agora
As já lavradas setas:
Anda afoita a romper os grossos mares,
Anda encher de alegria estranhas terras;
Ah! por ti suspiram
Os meus saudosos lares. Em cima dos viventes fatigados
Morfeu as dormideiras espremia:
Os mentirosos sonhos me cercavam;
Na vaga fantasia
Ao vivo me pintavam
As glórias, que desperto,
Meu coração pedia.Eu vou,
eu vou subindo a nau possante,
Nos braços conduzindo a minha bela;
Volteia a grande roda, e a grossa amarra
Se enleia em torno dela;
Já ponho a proa à barra,
Já cai ao som do apito
Ora uma, ora outra vela. CARTAS CHILENAS Em que se descreve a entrada que fez
Fanfarrão em Chile.
Amigo Doroteu, prezado amigo,
Abre os olhos, boceja, estende os braços
E limpa, das pestanas carregadas,
O pegajoso humor, que o sono ajunta.
Critilo, o teu Critilo é quem te chama;
Ergue a cabeça da engomada fronha
Acorda, se ouvir queres coisas raras."
Que coisas, ( tu dirás ), que coisas podes
Contar que valham tanto, quanto vale-
Dormir a noite fria em mole cama,
Quando salta a saraiva nos telhados
E quando o sudoeste e outros ventos
Movem dos troncos os frondosos ramos?"
É doce esse descanso, não te nego. Em que se contam as desordens que
Fanfarrão obrou no governo das tropas.
Agora, Doroteu, agora estava
Bamboando, na rede preguiçosa
E tomando, na fina porçolana,
O mate saboroso, quando escuto
De grossa artilharia o rouco estrondo.
O sangue se congela, a casa treme,
E pesada porção de estuque velho,
A violência do abalo despegada
Da barriguda esteira, faz que eu perca-
A tigela esmaltada, que era a coisa
Que tinha, nesta casa, de algum preço.
Apenas torno em mim daquele susto,
Me lembra ser o dia em que o bom chefe,
Aos seus auxiliares, lições dava ESCRITORES BRASILEIROS POESIA LÍRICA POESIA ÉPICA SANTA RITA DURÃO 1722-1784 Santa Rita Durão acreditava e proclamava que "os sucessos do Brasil não mereceriam menos um poema que os da Índia", numa evidente demonstração de falta de critério e perspectiva histórica, que nem o "amor da Pátria", invocado logo a seguir como a mola propulsora da obra, justifica. As debilidades do poema podem ser atribuídas a essa ausência de rigor crítico inicial, ainda mais acentuada pela condição sacerdotal do escritor.

MASSAUD MOISÉS CARAMURU Publicado em 1781, o Caramuru sobrevive ainda apenas pela sua posição histórica: foi o primeiro poema a tomar como motivo uma lenda local, a falar no índio brasileiro e a descrever seus costumes.

AFRÂNIO COUTINHO O Caramuru nasceu da crença de que a nossa história reservava um assunto tão digno quanto o de Os Lusíadas e objetivava combater as ideias dos libertinos em voga no século XVIII. [...]
É o descobrimento da Bahia, feito quase no meio do século XVI por Diogo Álvares Correia, nobre vianês, compreendendo em vários episódios a história do Brasil, os ritos, tradições, milícias dos seus indígenas, como também a natural, e política das colônias. [...]
A estrutura: dez cantos, com um total de 834 estrofes em oitava-rima e 6.672 versos decassílabos heroicos.

MASSAUD MOISÉS CARACTERÍSTICAS

DA

NATUREZA XXXIII
Vêem-se dentro campinas deleitosas,
Geladas fontes, árvores copadas,
Outeiros de cristal, campos de rosas,
Mil frutígeras plantas delicadas;
Coberto o chão das frutas mais mimosas,
Com mil formosas cores matizadas;
E, à maneira, entre as flores, de serpentes,
Vão volteando as líquidas correntes.

XXXIV
Latadas de martírios há sombrias,
Que com a rama e flor formam passeios,
Onde passam sem calma os claros dias
Gozando sem temor de mil recreios.
Chuvas ali não há, nem brumas frias,
Nem das procelas hórridas receios;
Nem há na primavera e verdes maios
Quem receie o trovão, nem tema o raios. MARAVILHOSO V
« Um Deus (diz), um Tupá, um ser possante
Quem poderá negar que reja o mundo,
Ou vendo a nuvem fulminar tonante,
Ou vendo enfurecer-se o mar profundo?
Quem enche o céu de tanta luz brilhante?
Quem borda a terra de um matiz fecundo?
E aquela sala azul, vasta, infinita,
Se não está lá Tupá, quem é que a habita?

VI
A chuva, a neve, o vento, a tempestade
Quem a rege? a quem segue? ou quem a move?
Quem nos derrama a bela claridade?
Quem tantas trevas sobre o mundo chove?
E este espírito amante da verdade,
Inimigo do mal, que o bem promove,
Coisa tão grande, como fora obrada,
Se não lhe dera o ser. quem vence o nada? RETRATO

DAS

ÍNDIAS LXXVIII

Paraguaçu gentil (tal nome teve)
Bem diversa de gente tão nojosa,
De cor tão alva como a branca neve,
E donde não é neve, era de rosa;
O nariz natural, boca mui breve,
Olhos de bela luz, testa espaçosa;
De algodão tudo o mais, com manto espesso,
Quanto honesta encobriu, fez ver-lhe o preço. XXXVI

É fama então que a multidão formosa
Das damas, que Diogo pretendiam,
Vendo avançar-se a nau na via undosa,
E que a esperança de o alcançar perdiam, Entre as ondas com ânsia furiosa,
Nadando, o esposo pelo mar seguiam,
E nem tanta água que flutua vaga
O ardor que o peito tem, banhando apaga.

XXXVII

Copiosa multidão da nau francesa
Corre a ver o espetáculo assombrada;
E, ignorando a ocasião de estranha empresa, Pasma da turba feminil que nada.
Uma, que as mais precede em gentileza,
Não vinha menos bela do que irada:
Era Moema, que de inveja geme,
E já vizinha à nau se apega ao leme. CARACTERÍSTICAS

RELIGIOSAS LIII

De varões apostólicos um bando
Tem de inocentes o esquadrão disposto,
Que iam na santa fé disciplinando.
Todos assistem com modesto rosto,
O catecismo em cântico entoando,
No idioma brasílico composto
Do exército, que Inácio à igreja alista,
Para emprender a bárbara conquista.

LIV

Sentiu da pátria o público proveito
O monarca piíssimo que impera,
E estes varões famosos tinha eleito
A instruir o Brasil na fé sincera.
Eles toda a conquista houveram feito,
E o imenso gentio à fé viera,
Se cuidasse fervente o santo zelo,
Sem humano interesse em convertê-lo. BASÍLIO DA GAMA 1741 - 1795 A obra de Basílio da Gama divide-se em duas partes: a narrativa, sem dúvida a mais numerosa e a melhor, e a lírica, reduzida e de pouco interesse. No exame da primeira, não importa a pesquisa de versos e imagens inspirados, adaptados ou literalmente tomados de empréstimo de Virgílio, Petrarca, Tasso e Camões: eram os modelos do poeta, e na época essa a forma de mostrar cultura e homenagear os autores prediletos.

AFRÂNIO COUTINHO O URAGUAI O Uraguai é um poema em cinco cantos, em versos brancos e estrofação livre, de ação limitada: narra a expedição empreendida por espanhóis e portugueses contra os índios e jesuítas habitantes da Colônia de Sete Povos das Missões do Uruguai, que segundo o Tratado de Madri, de 1750, deveria passar a pertencer a Portugal, em troca da Colônia do Santíssimo Sacramento, possessão portuguesa encravada em águas e território espanhol. Mas os índios, apoiados pelos jesuítas, se recusaram a ser súditos portugueses. Portugal e Espanha iniciaram então a expedição de conquista, em 1752. A campanha inglória só se concluiu em 1756; é dessa fase final que trata o poema de Basílio.

AFRÂNIO COUTINHO O Uraguai (1769) poemeto épico, tenta canciliar a louvação de Pombal e o heroísmo do indígena; e o jeito foi fazer recair sobre o jesuíta a pecha de vilão, inimigo de um, enganador do outro.
O Uraguai lê-se ainda hoje com agrado, pois Basílio era poeta de veia fácil que aprendeu na Arcádia menos o artifício dos temas que o desespeno da linguagem e do metro. O verso branco e o balanço entre os decassílabos heroicos e sáficos aligeiram a estrutura do poema que melhor se diria lírico-narrativo do que épico.

ALFREDO BOSI Contendo cinco cantos, o poema se inicia pela reunião das tropas portuguesas e espanholas sob o comando de Catãneo (Gomes Freire de Andrade), que, primeiramente, em longa fa, descreve a guerra informando sobre os motivos históricos da obra. Já dos olhos o véu tinha rasgado
A enganada Madri, e ao Novo Mundo
Da vontade do Rei núncio severo
Aportava Catâneo: e ao grande Andrade
Avisa que tem prontos os socorros
E que em breve saía ao campo armado.
Não podia marchar por um deserto
O nosso General, sem que chegassem
As conduções, que há muito tempo espera.
Já por dilatadíssimos caminhos
Tinha mandado de remotas partes
Conduzir os petrechos para a guerra.
Mas entretanto cuidadoso e triste
Muitas cousas a um tempo revolvia
No inquieto agitado pensamento. O canto dois é dedicado à narrativa da batalha travada entre índios e conquistadores brancos, cabendo a vitória aos portugueses e espanhóis. Assim o manda o rei. Vós sois rebeldes,
Se não obedeceis; mas os rebeldes,
Eu sei que não sois vós, são os bons padres,
Que vos dizem a todos que sois livres,
E se servem de vós como de escravos.
Armados de orações vos põem no campo
Contra o fero trovão da artilheria,
Que os muros arrebata; e se contentam
De ver de longe a guerra: sacrificam,
Avarentos do seu, o vosso sangue.
Eu quero à vossa vista despojá-los
Do tirano domínio destes climas,
De que a vossa inocência os fez senhores.
Dizem-vos que não tendes rei? Cacique,
E o juramento de fidelidade?
Porque está longe, julgas que não pode
Castigar-vos a vós, e castigá-los?
Generoso inimigo, é tudo engano. No terceiro canto surge a sombra de um chefe indígena, desaparecido em combate, que aconselha o cacique Cacambo a incendiar o acampamento dos brancos e a fugir. O cacique acata o conselho e depois de voltar a sua aldeia encontra o jesuíta Balda que manda prendê-lo e o envenena. Paralelamente, a feiticeira Tanajura faz Lindoia, mulher de Cacambo, ter visões, e ela de modo pouco claro contempla nestes sonhos a cidade de Lisboa, destruída pelo terremoto de 1755, e, a seguir, reconstruída. Aqui, transparece o objetivo de Basílio da Gama de lembrar a figura do Marquês de Pombal. Tem por despojos cabeludas peles
De ensangüentados e famintos lobos
E fingidas raposas. Manda, e logo
O incêndio lhe obedece; e de repente
Por onde quer que ele encaminha os passos
Dão lugar as ruínas. Viu Lindóia
Do meio delas, só a um seu aceno,
Sair da terra feitos e acabados
Vistosos edifícios. Já mais bela
Nasce Lisboa de entre as cinzas - glória
Do grande conde, que co’a mão robusta
Lhe firmou na alta testa os vacilantes
Mal seguros castelos. Mais ao longe
Prontas no Tejo, e ao curvo ferro atadas
Aos olhos dão de si terrível mostra,
Ameaçando o mar, as poderosasSoberbas naus. O canto quarto nos mostra o encontro dos índios para a cerimônia de casamento de Lindoia com o índio Baldeta, protegido do jesuíta Balda. a heroína Lindoia, entretanto, vem se suicidar, deixando-se picar por uma cobra, naquele trecho considerado como o mais belo do poema. Neste mesmo momento, as tropas portuguesas e espanholas já se achavam nas cercanias da aldeia e os índios batem em retirada, abandonando a cidadela. Cansada de viver, tinha escolhido
Para morrer a mísera Lindóia.
Lá reclinada, como que dormia,
Na branda relva e nas mimosas flores,
Tinha a face na mão, e a mão no tronco
De um fúnebre cipreste, que espalhava
Melancólica sombra. Mais de perto
Descobrem que se enrola no seu corpo
Verde serpente, e lhe passeia, e cinge
Pescoço e braços, e lhe lambe o seio.
Fogem de a ver assim, sobressaltados,
E param cheios de temor ao longe;
E nem se atrevem a chamá-la, e temem
Que desperte assustada, e irrite o monstro,
E fuja, e apresse no fugir a morte. Por fim, o quinto e último canto descreve o templo religioso, os crimes cometidos pelos jesuítas da Companhia de Jesus e a prisão dos religiosos.

MIRIAN LEME O invicto Andrade; e generoso, entanto,
Reprime a militar licença, e a todos
Co’a grande sombra ampara: alegre e brando
No meio da vitória. Em roda o cercam
(Nem se enganaram) procurando abrigo
Chorosas mães, e filhos inocentes,
E curvos pais e tímidas donzelas.
Sossegado o tumulto e conhecidas
As vis astúcias de Tedeu e Balda,
Cai a infame República por terra.
Aos pés do General as toscas armas
Já tem deposto o rude Americano,
Que reconhece as ordens e se humilha,
E a imagem do seu rei prostrado adora. PRÉ-ROMANTISMO Como o próprio vocábulo indica, o conceito de pré-modernismo abarca as tendências estéticas e as manifestações de sensibilidade que no século XVIII, sobretudo a partir da sua segunda metade, afastam-se dos cânones neoclássicos, anunciando já o romantismo. Uma característica fundamental da literatura pré-romântica consiste na valorização do sentimento. O coração triunfa do racionalismo neoclássico e iluminista, transformando-se na fonte por excelência dos valores humanos. A vida moral passa deste modo a ser regida pelo sentimento, sobrepondo-se os direitos do coração às exigências da lei, das convenções e dos preconceitos sociais, em suma, às exigências das normas jurídicas ou éticas impostas do exterior. A literatura começa a devassar os segredos da interioridade humana, dissecando gostosa e despudoramente os recantos mais íntimos da alma e do corpo.

VITOR MANUEL DE AGUIAR E SILVA MANUEL MARIA L'HEDOUX BARBOSA DU BOCAGE 1765 - 1805 ELMANO SADINO A matéria lírica bocageana está carregada de elementos cujo individualismo, isto é, cuja consciência de singularidade pessoal nos salta aos olhos com mais fácil evidência: ele foi o primeiro poeta português que por várias vezes se autorretratou; [...] poderia reconstituir-se toda a sua autobiografia dispersa de amores pudicos e impudicos, de viagens, combates, misérias, zangas e reconciliações amorosas ou literárias, risco de morte, prisão e doenças, sobretudo a longa doença final.

ÓSCAR LOPES Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades;

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento. GOSTO PELO NOTURNO
FORMAS MACABRAS
EXTREMO PESSIMISMO
MORTE: SOLUÇÃO
RAZÃO X SENTIMENTO
SOFRIMENTO
SENTIMENTO DE ABANDONO
CONFISSIONAL
SUBJETIVISMO
EGOCENTRISMO CARACTERÍSTICAS ESTÉTICAS Já sobre o coche de ébano estrelado,
Deu meio giro a Noite escura e feia,
Que profundo silêncio me rodeia
Neste deserto bosque, à luz vedado!

Jaz entre as folhas Zéfiro abafado,
O Tejo adormeceu na lisa areia;
Nem o mavioso rouxinol gorjeia,
Nem pia o mocho, às trevas acostumado.

Só eu velo, só eu, pedindo à Sorte
Que o fio com que está mih'alma presa
À vil matéria lânguida, me corte.

Consola-me este horror, esta tristeza,
Porque a meus olhos se afigura a Morte
No silêncio total da Natureza. Oh retrato da morte, oh noite amiga
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha do meu pranto,
Des meus desgostos secretária antiga!

Pois manda Amor, que a ti somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga:

E vós, oh cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.
Quem se vê maltratado e combatido
Pelas cruéis angústias da indigência:
Quem sofre de inimigos a violência,
Quem geme de tiranos oprimido:

Quem não pode ultrajado e perseguido
Achar nos céus, ou nos mortais clemência:
Quem chora finalmente a dura ausência
De um bem, que para sempre está perdido:

Folgará de viver, quando não passa
Nem um momento em paz, quando amargura
O coração lhe arranca e despedaça?

Ah! Só deve agradar-lhe a sepultura,
Que a vida para os tristes é desgraça,
A morte para os tristes é ventura.

Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!
Igual causa nos fez, perdendo o Tejo,
Arrostar co'o sacrílego gigante;

Como tu, junto ao Ganges sussurrante,
Da penúria cruel no horror me vejo;
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,
Também carpindo estou, saudoso amante.

Ludíbrio, como tu, da Sorte dura
Meu fim demando ao Céu, pela certeza
De que só terei paz na sepultura.

Modelo meu tu és, mas... oh, tristeza!...
Se te imito nos transes da Ventura,
Não te imito nos dons da Natureza.
Eu deliro, Gertrúria, eu desespero
No inferno de suspeitas e temores.
Eu da morte as angústias e os horrores
Por mil vezes sem morrer tolero.

Pelo Céu, por teus olhos te assevero
Que ferve esta alma em cândidos amores;
Longe o prazer de ilícitos favores!
Quero o teu coração, mais nada quero.

Ah! não sejas também qual é comigo
A cega divindade, a Sorte dura.
A vária Deusa, que me nega abrigo!

Tudo perdi: mas valha-me a ternura
Amor me valha, e pague-me contigo
Os roubos que me faz a má ventura.
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