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análise - conto - relação escolar - m. beatriz e tarcisio

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Maria Beatriz Ricca

on 8 October 2014

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Transcript of análise - conto - relação escolar - m. beatriz e tarcisio

relação professora - alunos negros no conto "a menina Vitória" de Arnaldo Santos

Matoso
"[Matoso] vergado na cadeira, não tirava os olhos do livro, nem mesmo quando a menina Vitória se referia a ele, quase sempre com desprezo, ao recriminar outro aluno. "Pareces o Matoso a falar...", "Sujas a bata como Matoso...", "Cheiras a Matoso..." -- e ele guardava-se cada vez mais à carteira, transido por aqueles comentários impiedosos.
Fora também transferido da escola 8 e, no mesmo dia da apresentação, a menina Vitória não escondera a sua má impressão, com alusões veladas à sua bate de brim grosso. (...)".

Matoso era desqualificado por questões culturais, etnico-raciais e socio-econômicas
Gigi
"Olhava para os colegas de soslaio, inseguro. Eles iriam troçar também dele, da sua bata modesta de brim, dos seus sapatos puídos, quase rotos? E não respondia quando a menina Vitória o chamava à lição, receando um despropósito que o identificasse com o Matoso. (...) Mas tolerava-o lá no fundo da aula. E o Gigi diminuía-se ainda mais para não se tornar notado, esforçando-se num mimetismo impotente por imitar os gestos dos meninos da baixa. Tenho que ser como eles, refletia no recreio, afastando-se dos alunos da 4a classe, que eram, na maioria, os seus companheiros de vadiação do Kinaxixe"

"Imitava passivamente a prosa certinha do gosto da menina Vitória. Esvaziava-a das pequeninas realidades insignificantes que ele vivia, das suas emocionantes experiências de menino livre, agora proibidas e imprestáveis"

preocupação de Gigi em ser igual aos outros (que eram prestigiados pela professora);
preferia ir a escola e não se notado, para isso, copiava exatamente as expectativas da professora.
tentava se distanciar das suas origens para assimilar a cultura presente e dominante na/da escola.

o conto
"A menina Vitória"*
conto do angolano, nascido em Luanda, Arnaldo Santos.

sala de aula - redação - escrita - língua
relação professora e Matoso
"Cada vez pior...!" rezingava a menina Vitória, que não compadecia com os enganos. E continuava a erguer à volta do Matoso, implacavelmente, um círculo intransponível de desprezo, onde ele já não se debatia, nem chorava. Apenas no rosto as suas feições endureciam sob a pressão dos maxilares contraídos. Exasperava-a."

para a professora a comparação sempre com algo ruim era feita com Matoso;
aluno dentro da sala de aula visto como "o pior" tanto por conta de sua origem exposta em suas vestes como por conta dos seus saberes que não eram iguais aos demais;
Matoso aprendera a não transparecer mágoa diante das situações de exposição e humilhação.
relação Gigi e Matoso
"Daí por diante o seu nome era jogado pela aula com crueza (de Matoso), criando um símbolo maldito, que o Gigi mais tarde, atemorizado, reconheceu facilmente. Era uma imagem familiar. Estava muito perto de si e dos seus companheiros do Kinaxixe. Mas por que ele irritava tanto a professora e lhe merecia aquela troça? O Gigi retraiu-se."

"Tenho que andar pouco com ele, pensava preocupado Gigi. A professora pode virar-se contra mim. E fugia, afastava-se também da sua companhia deixando-o abatido, solitário, dentro das suas ruínas. (...) Precisava esconder o segredo ilegítimo do seu passado igual. Precisava de o dissimular para que não fosse destruído".


Gigi e Matoso tem proximidades culturais. Gigi se vê no colega. Há uma identificação cultural, etnico-racial e social.
apesar da aproximação, Gigi julgou melhor se afastar de Matoso para ter um desenvolvimento melhor na escola, por conta da imagem com a professora e colegas.
apontamentos
educação opressora;
desqualifica bagagem e cultura dos alunos;
impõe a língua, sem tentar entender porque os alunos falam em quimbundo;
estabelece relação de autoridade e repressora com os alunos negros apenas (os alunos brancos ao longo do texto reforçam o olhar da professora;
debocha tanto ta escrita, tanto da fala, tanto do léxico dos alunos negros.
SANTOS, Arnaldo. Kinaxixe e outras prosas.
São Paulo, Ática, 1981. p.32-37.
"Transferiram-no no meio do ano letivo para o colégio do Pucha Beatas, por causa dos piolhos da Escola 8 e da prosódia, em que os professores o achavam muito fraco"

começo do conto - mudança de Gigi, o personagem principal, de escola.
questão linguística: Gigi mora em um país de língua oficial portuguesa (língua falada na escola, imposta por brancos), mas tem grande contato com quimbundo/kimbundu - língua banto que pertence à sua cultura - nos demais espaços. sua fala é composta por uma "mistura".
Gigi muda para uma escola de crianças ricas e brancas, mas é negro.
considerações finais
a professora -
menina Vitória
"A professora da 3a classe, a menina Vitória, era uma mulatinha fresca e muito empoada, que tinha tirado o curso na Metrópole. Renovava o pó-de-arroz nas faces sempre que tivesse um momento livre, e durante as aulas gostava de mergulhar os dedos nos cabelos alourados e sedosos de uns meninos que se sentavam nas primeiras filas.
Olhou-o com desconfiança e depois do primeiro exame mandou-o para uma carteira no fundo da aula, junto com um menino com cara de puco, a quem chamava cafuzo, por ser muito escuro."
"Muxixeiro na redação... que coisa é esta...?!" -- alarmava-se a menina Vitória, considerando o neologismo inferior. E a meninada da baixa ria e surriava (...) Gigi torcia a cara, engonhava cm medo de explicar. (...)"

[depois de Gigi ler sua redação sobre o governo para a sala, achando que tinha cumprido seu papel] "Como é que ele se atrevera a tratá-lo por tu! Como é que ele tivera o arrojo de o nomear com um simples artigo definido?"

"Porém seu azedume cresceu quando, tempos depois, o Matoso lhe respondeu distraidamente em quimbundo. "O quê, julgas que eu sou da tua laia...?!"(...)"
relação na sala de aula: professora -alunos negros é uma, professora - alunos brancos é outra;
professora passa por um processo de embranquecimento tanto com a maquiagem quanto com a proximidade e favorecimento dos alunos brancos;
formata na Metrópole, isto é, no lugar do colonizador (mais um processo de embranquecimento), em Portugal.
Matoso é o único outro colega negro de Gigi
na sala de aula.
Maria Beatriz C. Ricca (7193405) e Tarcisio de Lima (5417362)
educação opressora; professora cria relação de autoridade se distanciando dos alunos negros;
opressão do colonialismo reproduzida no espaço escolar;
professora também negra passa por um processo de embranquecimento (estuda na Metrópole, passa maquiagem para ficar mais branca);
relação professora - alunos negros se da pela diferenciação, mesmo que os alunos negros não entendam como uma negra faz isso com eles. capital cultural da professora estabelece distância para com os alunos (dentro da escola).
escola legitima apenas a cultura branca ocidental, desprestigiando cultura negra angolana (isso é exposto nas questões linguísticas principalmente);
alunos negros são estigmatizados por conta da outra escola que vieram. são constantemente silenciados;
além da questão racial, as diferenças sociais são expostas (diferença de roupas, por exemplo);
professora não tenta entender lugar, olhar do aluno, mesmo tendo a mesma origem
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