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Larry Laudan: O progresso e seus problemas

Originalmente apresentado no PPGD-UFSC, no curso de epistemologia jurídica do prof. Horácio Wanderlei Rodrigues
by

André O. Leite

on 20 August 2014

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Transcript of Larry Laudan: O progresso e seus problemas

Formado em física (Univ. Kansas)

Doutorado em filosofia (Univ. Princeton)

Publicou "O progresso..." em 1977

Na época lecionava História e Filosofia da ciência na Universidade de Pittsburg

Atualmente é pesquisador da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM)

"O objetivo da ciência é assegurar teorias com uma alta efetividade em resolver problemas"
(Beyond Positivism and Relativism, 1996)
Larry Laudan
As teorias estão inevitavelmente envolvidas na solução de problemas;

O principal objetivo de se teorizar é
oferecer soluções coerentes e adequadas
aos problemas empíricos que estimulam a investigação

Teorias devem
resolver
ou
evitar
problemas conceituais ou anômalos gerados pelas suposições antecessoras

O teste cognitivo central de qualquer teoria envolve
avaliar a sua adequação como solução de certos problemas
empíricos e conceituais
Teorias e problemas
Em defesa da ciência “imatura”
Seção 3: Das teorias às tradições de pesquisa
Seção 4: Progresso e revolução
Epílogo: Para além da Veritas e da Praxis

A natureza das tradições de pesquisa
A evolução das tradições de pesquisa
Progressividade e revolução
Epílogo: Para além da
Veritas
e da
Praxis
Larry Laudan: O progresso e seus problemas
André Olavo Leite
Disciplina Marcos teóricos e produção do conhecimento jurídico
Professor Dr. Horácio Wanderlei Rodrigues

O que são e como funcioam as teorias
A avaliação das teorias é questão de comparação
. O crucial de qualquer teoria é como ela se sai em comparação às suas concorrentes.

Crítica - "Boa parte da literatura da Filosofia da Ciência tem se baseado na suposição de que a avaliação teórica ocorre em um vácuo competitivo"

Perguntamos: esta teoria é melhor que aquela? Esta doutrina é a melhor entre as opções disponíveis?

Dois tipos de teorias
1. conjunto
específico
de doutrinas relacionadas [...] que pode ser usado para se fazer previsões experimentais específicas e dar explicações pormenoraizadas de fenônmenos naturais.
Ex.: teoria do efeito fotoelétrico (Einstein), teoria do complexo de Édipo (Freud).

2. conjuntos de doutrinas ou suposições mais
gerais
, difíceis de testar. [...] referimo-nos não a uma teoria específica, mas a todo um espectro de teorias individuais. Ex.:
teoria atômica, teoria da evolução.

- Diferenças de generalidade / especificidade entre elas
- Modos de avaliação apropriados a cada uma são radicalmente diferentes
"Maxi teorias"
Concorda com Lakatos e Kuhn que as
teorias mais gerais
são a principal ferramenta para se entender e avaliar o progresso científico

Discorda, no entanto, das explicações de ambos para "o que são estas teorias maiores" e "como elas evoluem"

Analiza criticamente a "teoria dos paradigmas científicos" de Kuhn e a "teoria dos programas de pesquisa" de Lakatos

Cria seu próprio conceito de "tradições de pesquisa"

Thomas Kuhn: Paradigmas científicos
Thomas Kuhn
Imre Lakatos: Programas de Pesquisa
1922-1996

Físico, historiador e filósofo da ciência

Autor de "A Estrutura das revoluções científicas" (1962)
Paradigmas: "meios de olhar o mundo", amplas visões ou premonições quase metafísicas acerca do modo como devem ser explicados os fenômenos de certo campo.

Em ciências "maduras",
todos
os cientistas aceitarão o mesmo paradigma a maior parte do tempo

Abrigam muitas teorias específicas, cada uma pressupondo um ou mais elementos do paradigma

Em tempos de ciência normal, o paradigma será visto como inalterável e imune a críticas
O paradigma permanece até que se acumulem "anomalias" suficientes

Os cientistas começam então a se perguntar se ele é realmente apropriado

Este período é chamado de "crise"

Se durante o período de "crise" de um paradigma
surgir um outro paradigma que se mostre empiricamente mais bem sucedido, este novo paradigma é entronizado e começa um novo período de ciência normal
Críticas à teoria de Kuhn:

- Sua inabilidade em ver o papel dos problemas conceituais no debate científico e na avaliação de paradigmas.

- Jamais determina a relação entre o paradigma e suas teorias constituintes (quem influencia quem e como)

- Os paradigmas têm uma rigidez estrutural que os impede de evoluir ao longo do tempo, contrariando a História da ciência.

- Os paradigmas que são sempre implícitos, jamais completamente articulados, contrariando fatos históricos.

- Ignorar o fato de que cientistas muitas vezes usam as mesmas leis ou “exemplares”, mas aderem a visões radicalmente diferentes acerca de ontologia e metodologia científicas.

Imre Lakatos
1922-1974

Matemático e filósofo da ciência e da matemática

Co-autor de "Criticism and the Growth of Knowledge" (1970)
- Divide os Programas de Pesquisa em três partes:

- Núcleo duro, suposições fundamentais que não podem ser abandonadas ou modificadas;

- Heurística positiva, conjunto de sugestões ou dicas sobre como modificar ou sofisticar as teorias específicas;

- Uma série de teorias, T1, T2, T3 [...], onde cada teoria subsequente resulta de adições às teorias anteriores.

Representa uma melhora em relação a Kuhn:

- Ressalta a coexistência de diferentes programas de pesquisa ao mesmo tempo, dentro da mesma área do saber;

- Enfrenta a questão da relação da “maxi” teoria e das teorias constituintes;

- Insiste na possibilidade de comparar objetivamente o progresso relativo de programas de pesquisa concorrentes.
Principais críticas à teoria de Lakatos:

- Os programas de pesquisa são rígidos (núcleo duro) e não admitem mudanças fundamentais;

- Não identifica critérios para opção racional entre diferentes programas de pesquisa;

- Não admite a possibilidade de, dentro de um mesmo programa de pesquisa, uma miniteoria suceder a outra sem necessariamente acarreta-la, o que contradiz exemplos históricos;


Há muitas dificuldades
analíticas
e
históricas
que atingem as tentativas de Kuhn e Lakatos de entender a natureza e o papel das maxiteorias
Uma tradição de pesquisa é um
conjunto de suposições
acerca das entidades e dos processos de uma área de estudo e dos
métodos adequados
a serem utilizados para
investigar os problemas e construir as teorias
dessa área do saber;

Um conjunto de afirmações e negações ontológicas e metodológicas. Tentar o que é proibido pela metafísica e pela metodologia de uma tradição de pesquisa é colocar-se fora dessa tradição e repudia-la;

Toda disciplina intelectual, científica ou não, tem uma história repleta de tradições de pesquisa;
- Têm muitas teorias específicas que a exemplificam e constituem. Essas teorias específicas têm a função de explicar os problemas empíricos da área;

- Apresentam vínculos metafísicos e metodológicos que as individualizam e distinguem de outras;

- Têm uma longa História, que se estende por longos períodos de tempo;

- Normalmente determinam os métodos de investigação disponíveis ao pesquisador da área;

- Oferecem um conjunto de diretrizes para o
desenvolvimento de teorias específicas e delineia os modos como essas teorias podem interagir.
Características
- Como teorias buscam muitas vezes melhorar e corrigir suas antecessoras, muitas teorias de uma tradição de pesquisa em evolução são incompatíveis;

- Ao contrário das teorias, as tradições de pesquisa não são explicativas, preditivas nem diretamente testáveis, nem fornecem respostas a questões específicas;

- As avaliações de efetividade das teorias e das tradições de pesquisa estão vinculadas: o sucesso de uma tende a levar à aceitação da outra, e vice-versa;
Teorias e trad. de pesquisa
- A tradição de pesquisa bem-sucedida é aquela que leva, por meio das teorias que a compõem, à solução adequada de um número cada vez maior de problemas empíricos e conceituais;

- Tal avaliação nada diz quanto à verdade ou falsidade da tradição: é possível haver tradições bem-sucedidas mas metodologicamente falhas, e tradições mal-sucedidas mas verdadeiras;

- Teorias e tradições de pesquisa não implicam umas às outras;

- há muitas teorias incompatíveis que podem reivindicar pertencer à mesma tradição de pesquisa, e há muitas tradições de pesquisa diferentes que podem, em princípio, fornecer a base de pressuposição para qualquer teoria.
Problemas e trad. pesquisa
- Tradições de pesquisa devem delimitar o domínio de aplicação de suas teorias constituintes. Elas fazem isso indicando que convém discutir certas classes de problemas empíricos em dado campo, enquanto outras pertencem a outros campos ou são “pseudoproblemas”;
- As tradições de pesquisa desempenham papel decisivo na especificação de coisas tidas como problemas empíricos potencialmente solúveis para suas teorias constituintes;

- a maior parte dos problemas conceituais enfrentados por uma teoria vêm da tensão entre esta teoria e a tradição de pesquisa de que ela faz parte;
O papel vinculante das tradições de pesquisa

- A primeira função das tradições de pesquisa é estabelecer uma ontologia e uma metodologia gerais para lidar com os problemas de uma determinada área do saber;

- Por isso, elas agem como vínculo em relação aos tipos de teorias a serem desenvolvidas naquela área;

O papel heurístico das tradições de pesquisa

- As tradições de pesquisa desempenham um papel heurístico vital na construção das teorias, pois dão sugestões vitais para esta construção;

- toda boa tradição de pesquisa contém diretrizes significativas da maneira como suas teorias podem ser modificadas e transformadas para incrementar sua capacidade de resolver problemas;
O papel justificativo das tradições de pesquisa

- Teorias partem de suposições que nem sempre são justificadas. Uma das funções importantes das tradições de pesquisa é a de racionalizar ou justificar essas suposições.

- Assim, as tradições de pesquisa identificam para o cientista três classes de suposições;

- Haverá consenso entre os cientistas de uma mesma área sobre a qual das três opções pertence qualquer dada proposição.



a) aquelas problemáticas, porque são justificadas pela tradição de pesquisa;

b) aquelas proibídas pela tradição de pesquisa;

c) aquelas que não são proibidas pela tradição de pesquisa, mas que exigem uma justificativa por parte da teoria.
A separabilidade entre teorias e tradições de pesquisa

- A separação entre uma teoria e sua tradição mãe de pesquisa normalmente só ocorre quando essa teoria pode ser assumida por uma outra tradição de pesquisa mais bem-sucedida;

- É esta separabilidade entre teoria e tradição de pesquisa que dá a enganosa idéia de que as teorias existem independentemente das tradições de pesquisa e nada devem a ela;

- Tanto Kuhn quanto Lakatos sugeriram que as tradições de pesquisa têm um conjunto rígido e imutável de doutrinas que as identifica e define. Para eles, quaisquer mudanças nessas doutrinas produzem uma tradição de pesquisa diferente;

- Para Laudan as tradições de pesquisa são históricas, e, como todas instituições históricas, nascem, crescem, envelhecem e desaparecem;

- A maneira mais óbvia de como uma tradição muda é pela modificação de algumas de suas teorias específicas subordinadas;

- Uma segunda classe de mudanças corresponde à mudança de alguns de seus mais básicos elementos essenciais;

- Ao longo de seu desenvolvimento, teorias e tradições de pesquisa encontram muitos problemas, e é comum que os cientistas partidários de uma tradição de pesquisa explorem a possibilidade de mudanças ontológicas e metodológicas mínimas nessas tradições, para eliminar tais problemas;

- Introduzir uma ou duas modificações nas suposições fundamentais da tradição de pesquisa, permite aos cientistas resolver alguns problemas conceituais e anomalias, e manter intacta a parte principal das suposições da tradição de pesquisa;

- Para Laudan, isso não se confunde com o que propôs Lakatos, e seria equivocado falar em uma “nova” tradição de pesquisa, e sim de uma evolução natural da tradição de pesquisa.

- Como então distinguir a evolução de uma mesma tradição de pesquisa, do surgimento de uma nova tradição de pesquisa?

- Laudan concorda com Lakatos que certos elementos de uma tradição não podem ser modificados, sob pena de cria-se uma nova tradição de pesquisa;

- Por outro lado, rebate Lakatos e Kuhn ao dizer que estes elementos “sacrossantos” mudam com o tempo;

- Para Kuhn e Lakatos a escolha de quais elementos são esses, seria arbitrária. Laudan, por outro lado, oferece alguns critérios racionais;

- Para ele, ao se mostrar que certos elementos, antes considerados essenciais para todo o empreendimento, podem ser dispensados sem comprometer a capacidade de solução de problemas da tradição, esses elementos deixam de fazer parte do núcleo “não-rejeitável”.


Tradições de pesquisa e mudanças na visão de mundo

- As tradições de pesquisa e as teorias se deparam com sérias dificuldades cognitivas se forem incompatpiveis com certos sistemas mais amplos de crença em dada cultura;

- Por outro lado, pode acontecer de uma tradição de pesquisa muito bem-sucedida levar ao abandono daquela visão de mundo que é incompatível com ela e à elaboração de uma nova.

- É dessa maneira que muitos sistemas científicos novos acabam se tornando “senso comum”

- É quivocado, no entanto, imaginar que as visões de mundo se desfazem diante das novas tradições de pesquisa científica que as desafiam. A Histórica da ciência mostra que há visões de mundo incrivelmente flexíveis e resistentes;

- Diz-se que isso se dá enquanto as tradições de pesquisa são ainda recentes, ou seja, seria uma questão de tempo, mas Laudan apresenta dúvidas quanto a isso.
A integração das tradições de pesquisa

- Há situações onde tradições de pesquisa concorrem, e uma impera e derrota suas rivais;

- Há também ocasiões em que duas ou mais tradições de pesquisa não apenas não se combatem, como integram-se;

- Há duas maneiras por meio das quais isso ocorre:

- Uma tradição de pesquisa pode ser enxertada na outra, sem maiores modificações nos pressupostos de nenhuma das duas;

- Em outros casos, o amálgama das duas ou mais tradições de pesquisa exige o repúdio de alguns dos elementos fundamentais de cada uma das tradições de pesquisa que se combinam;

- É dessa maneira que a maioria das chamadas revoluções científicas acontece.
Tradições de pesquisa não convencionais

- Muitas tradições de pesquisa são entidades grandiosas, repletas de ontologias e metodologias;

- Parece também haver na ciência tradições e escolas que, embora não apresentem uma ou outra dessas características, tiveram uma coerência intelectual genuína;

A avaliação das tradições de pesquisa

- Trata de sobre como os cientistas podem fazer escolhas sensatas entre tradições de pesquisa alternativas, e sobre como uma tradição de pesquisa é avaliada em relação à sua aceitabilidade;

- Embora as tradições de pesquisa por sí só não impliquem consequências observáveis, há maneiras diferentes pelas quais elas podem ser avaliadas e comparadas;

- Laudan estabelece alguns critérios e contextos para que essa avaliação ocorra.
Adequação e progresso

- Adequação: Trata-se essencialmente de quão efetivas são as mais recentes teorias da tradição de pesquisa quanto à solução de problemas;

- Progresso: Trata-se de determinar se, ao longo do tempo, a tradição de pesquisa aumentou ou reduziu a resolução de problemas de suas teorias componentes, e consequentemente aumentou sua adequação.

- Há duas medidas particularmente importantes para se avaliar a progressividade de uma tradição de pesquisa:

- O progresso geral de uma tradição de pesquisa: comparação da adequação dos conjuntos de teorias que constituem a tradição mais antiga com as que constituem as versões mais recentes da tradição de pesquisa;

- A taxa de progresso da tradição de pesquisa: são identificadas as mudanças na adequação momentânea da tradição de pesquisa durante determinado espaço de tempo.



- Ambas medidas podem ser discrepantes:

- Uma tradição pode apresentar alto grau de progresso geral e uma baixa taxa de progresso;

- Em contrapartida, uma tradição pode apresentar alta taxa recente de progresso, mas um progresso geral limitado.

- Também, adequação e progresso nem sempre se acompanham linearmente:

- Uma tradição pode apresentar adequação alta e no entanto não mostrar progresso geral ou até mesmo ser regressiva;

- Em contrapartida, há casos em que o progresso geral e a taxa de progresso de uma tradição de pesquisa são altos, mas a adequação momentânea das tradições é bastante baixa.
- Para o autor, há em geral dois contextos completamente diferentes em que as teorias e tradições de pesquisa são avaliadas:
aceitação e adoção

- “Aceitação” refere-se a quando os cientistas optam por aceitar uma ou um grupo de teorias e tradições de pesquisa como se fosse verdadeira, em detrimento de outra ou outras.

- Como tomar uma decisão coerente?

- A escolha de uma tradição em detrimento de suas rivais será progressiva (e, portanto, racional) na exata medida em que a tradição escolhida for um melhor solucionador de problemas.
- Há casos em que cientistas investigaram e exploraram teorias ou tradições de pesquisa que eram claramente menos aceitáveis, menos dignas de crédito que as anteriores;

- Os cientistas começam a trabalhar em uma nova tradição de pesquisa e a explora-la muito antes que seu sucesso quanto à solução de problemas;

- É assim que surgem a maior parte das novas tradições de pesquisa;

- Há também casos onde cientistas trabalham em duas tradições de pesquisa diferentes e até incompatíveis;

A adhocidade e a evolução das tradições de pesquisa

- “Adhocidade” refere-se a teorias que sao concebidas “sob medida” para lidar com determinados problemas de uma teoria anterior. Uma teoria é ad hoc se resolver os problemas de uma teoria anterior, mas somente estes problemas (nenhum outro problema externo);

- Para Popper e Lakatos é irracional ou não científico aceitar uma teoria ad hoc.

- Laudan, porém, apresenta uma flexibilização do conceito de adhocidade: “a teoria é ad hoc caso se acredite que apareça essencialmente na solução de todos os problemas empíricos – e apenas neles – resolvidos por uma teoria anterior ou que eram casos de refutação dela”

- É preciso, portanto, perceber que os cientistas as vezes têm boas razões para trabalhar com teorias que não aceitariam:

- É sempre racional explorar uma tradição de pesquisa que tenha uma taxa de progresso mais alta que as outras (mesmo se tiver efetividade mais baixa na solução de problemas);

- Esse vínculo entre o progresso e a exploração é um “terreno intermediário” entre a tese de Kuhn de que a exploração de alternativas ao paradigma dominante nunca é racional, e a tese de Lakatos e Feyerabend de que a exploração de qualquer tradição de pesquisa pode ser racional.


- Nestes termos, o recurso a estratagemas ad hoc é perfeitamente coerente com o objetivo de aumentar a capacidade de resolver problemas;

- Insistir nas exigências de Popper e Lakatos é repudiar a idéia de que são preferíveis as teorias que resolvem mais problemas acerca do mundo.

- Assim, o único caso legitimamente pejorativo de adhocidade reduz-se à situação em que a efetividade geral de uma teoria quanto à solução de problemas diminui.
O autor defende sua “abordagem baseada na solução de problemas” e mostra como ela pode iluminar alguns problemas centrais da ciência, e como alguns pontos como o progresso científico, a racionalidade científica e a natureza das revoluções científicas se beneficiam dessa abordagem.
Progresso e racionalidade científica

- A natureza da racionalidade é uma das questões mais espinhosas da Filosofia do século XX.

- Várias definições já foram propostas:

- Agir para aumentar as vatagens pessoais;
- Agir com base em proposições que temos boas razões para crer sejam verdadeiras;
- Função da análize de custo e benefício;
- Formular juízos que possam ser refutados.

- Apesar disso, nunca se mostrou que estas definições se ajustem à História da ciência.

- Para Laudan, ser racional é fazer ou crer em coisas por se ter boas razões para isso.
- Para Laudan, diferentemente de Popper e Lakatos, a avaliação deve ser feita de acordo com os padrões da época em que cada uma dessas escolhas ocorre, e não de acordo com padrões modernos. Caso contrário, podem ser julgadas irracionais algumas das “maiores façanhas da história das idéias”.

- Talvez em nossa época julguemos algumas das teorias do passado obscurantistas e nocivas ao desenvolvimento da ciência, mas foi com a vantagem do olhar retrospectivo que se pôde chegar a esta conclusão.

- O autor sugere a necessidade de uma noção de racionalidade mais ampla, que mostre que a intrusão de fatores aparentemente “não científicos” na tomada de decisão científica é, ou pode ser, um processo racional.

Em ciência, ser racional é:

- fazer tudo o que pudermos para incrementar o progresso das tradições de pesquisa científica;

- aceitar as melhores tradições de pesquisa disponíveis

- Fazer escolhas racionais, portanto, é fazer escolhas progressivas (que aumentam a efetividade na solução de problemas das teorias que aceitamos ).

- Se a ciência como um todo é racional e progressiva, depende de se o conjunto de escolhas das teorias e tradições de pesquisa mostrou progresso e racionalidade ao longo da História;
Revoluções científicas

- Thomas Kuhn levou cientistas, filósofos e historiadores a compartimentar a evolução da ciência em períodos espaçados de atividade revolucionária e a imaginar que a revolução científica fosse a categoria básica para discutir a evolução da ciência;

- Kuhn chegou ao ponto de dizer que uma disciplina é não científica se a discussão de problemas críticos e fundamentais permanecer inalterada;

- Para Laudan as revoluções científicas não são tão revolucionárias e a ciência normal não é tão normal quanto supunha Kuhn;

- A colocação e a resolução de problemas conceituais ocorre constantemente ao longo de toda tradição de pesquisa ativa;

- É raro encontrar na História da ciência um paradigma que se mantenha solitário em algum setor por longo tempo;

- A coexistência de tradições de pesquisa conflitantes é que torna enganosa a ênfase dada às épocas revolucionárias

- De fato, o exame dos fundamentos, a exploração de quadros alternativos, a substituição de perspectivas antigas por outras mais novas e mais progressistas acontece constantemente na ciência;

- As revoluções científicas ocorrem quando uma tradição de pesquisa, até então desconhecida ou ignorada pelos cientistas de determinado campo, chega a um ponto de desenvolvimento em que os cientistas daquele campo se sentem obrigados a considerá-la uma concorrente para a adesão deles mesmos ou de seus colegas;
- Elas ocorrem mesmo quando são considerações irracionais ou não racionais que chamam a atenção de todos para uma nova tradição de pesquisa;

- Ressalte-se que quando se aceita a possibilidade de adaptação das tradições de pesquisa, as revoluções científicas diminuem um pouco de importância;
Revolução, continuidade e comensurabilidade

- Entre os estudiosos do processo científico de mudança, há duas escolas:

- a escola “revolucionária”, que dá ênfase às sucessivas revoluções do pensamento científico;

- a escola “gradualista”, que dá ênfase à continuidade que a ciência exibe ao longo da história, preservando a maior parte do que descobriu.

- A abordagem baseada na solução de problemas permite integrar ambos os enfoques;

- São os problemas empíricos que estabelecem elos de ligação entre sucessivas tradições de pesquisa;
O argumento baseado no progresso

- Uma determinação aproximada da efetividade de uma tradição de pesquisa pode ser feita dentro dela própria, sem referência a qualquer outra;

- Isso seria feito ao se avaliar se a tradição de pesquisa resolveu os problemas que definiu para sí mesma; se gerou problemas empíricos ou conceituais; se conseguiu ao longo do tempo ampliar seu domínio de problemas resolvidos;

- Chega-se, assim, a uma caracterização da progressividade ou da regressividade de uma tradição de pesquisa;

- Pode-se assim comparar a progressividade de diferentes tradições de pesquisa.
- Quanto à comensurabilidade de teorias e tradições de pesquisa, alguns autores afirmam que as teorias científicas definem implicitamente os termos que ocorrem dentro de sí.

- Assim, aceitar uma teoria seria aceitar uma linguagem privada, e assim comparações seriam impossíveis, porque tal comparação exigiria uma linguagem comum;

O argumento baseado na solução de problemas

- A abordagem baseada na solução de problemas oferece uma solução a esta questão, pois permitira a identificação de teorias concorrentes que lidam com um mesmo problema;

- Esses problemas compartilhados oferecem uma base para a avaliação racional da efetividade relativa na solução de problemas de tradições de pesquisa concorrentes;
Progresso não cumulativo

- Laudan contesta a noção de que só há progresso científico se o conhecimento for adquirido por meio de teoriasque aumentam o número de problemas resolvidos e nunca deixam de resolver todos os problemas resolvidos com sucesso por suas predecessoras;

- Para ele este modelo não encontra exemplos históricos que o sustentem;

- Como para Kuhn e Feyerabend, Laudan concorda que costuma haver perdas e ganhos na substituição de teorias mais antigas;

- Assim, o crescimento do conhecimento pode ser progressivo mesmo quando perdemos a capacidade de resolver certos problemas.

- Tanto Kuhn quanto Lakatos admitem dois tipos de ciência, que correspondem a uma “fase inicial” e uma “fase madura”;

- Neste modelo, as diversas ciências, em diferentes épocas, passam pela transição da infância para a maioridade e quando isso acontece as regras do jogo mudam;

- Kuhn e Lakatos ressaltam que a ciência madura é mais progressiva e “científica”;

- Também aqui isso contradiz o que se conhece da História da ciência;

- Na ausência de argumentos convincentes, Laudan conclui que esta distinção não tem fundamento, embora no futuro possa vir a ser resgatada e comprovada.
Discussão
- Pouco se investigou se os métodos utilizados pela ciência são os mais aptos a gerar soluções para os problemas.

- Não há dúvida de que a ciência tem resolvido problemas; a questão é se alguma correção das ferramentas tradicionais de avaliação empírica e lógica possa aumentar sua eficiência.

- Isso, por sua vez, levanta uma questão ainda mais ampla: mesmo se pudéssemos provar que a ciência é o melhor instrumento para a solução de problemas cognitivos,
como justificar a aplicação de tão amplos recursos
à satisfação de uma característica singular da evolução animal, a saber,
o senso de curiosidade do homem
?
- Até onde sabemos, a ciência não produz teorias verdadeiras ou mesmo prováveis.

- Boa parte da atividade teórica nas ciências, e a maior parte do que hd de melhor nela, não está voltada para a solução de problemas práticos ou socialmente compensadores.

- Para o autor, se for possível encontrar uma justificação válida para a maior parte da atividade cientlfica, talvez ela venha do reconhecimento de que o senso de curiosidade do homem sobre o mundo e sobre si mesmo
seja tão irresistivel quanto sua necessidade de vestir-se e de comer
.

- A universalidade do fenômeno sugere que encontrar um sentido para o mundo e descobrir seu próprio lugar é algo com raízes profundas na psique humana.

- Reconhecendo que resolver um problema intelectual é requisito para a vida, podemos abandonar o perigoso prerexto de que a ciência só é legítima à medida que contribui para o bem-estar material ou para o tesouro de verdades perenes.

- Visto por esse lado, o repúdio da investigação científica teórica equivale à negação do que pode ser considerado o traço mais caracreristicamente humano.

- Isso não é sugerir que o gasto de recursos em todos os problemas teóricos da ciência se justifique por sí só.

- o cientista "puro" deve mostrar que seus problemas são
significativos
e seu programa de pesquisa é suficientemente
progressivo
para merecer que apostemos nele nossos preciosos e limitados recursos.
1. Laudan distingue maxiteorias e miniteorias, mas esta distinção não seria exageradamente simplista?

2. Quais são os vetores que determinam a aceitabilidade de uma teoria científica, segundo Laudan? (Pergunta da última aula)

3. Laudan afirma que suas "tradições de pesquisa" são equivalentes aos "paradigmas" de Kuhn e aos "programas de pesquisa" de Lakatos, mas faz uma distinção entre as tradições de pesquisa e "visões de mundo". Isso não colocaria as tradições de pesquisa num nível mais baixo do que o proposto por Lakatos e Kuhn?

4. Seria possível identificar outras tradições de pesquisa importantes no direito como um todo, além do jusnaturalismo e do positivismo?

5. Seria possível falar em revoluções científicas no direito, mesmo na linha de Laudan?
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