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MODERNISMO 1ª GERAÇÃO (antecedentes, semana e manifestos)

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Fernando Juarez de Cardoso

on 7 October 2015

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Transcript of MODERNISMO 1ª GERAÇÃO (antecedentes, semana e manifestos)

Modernismo - primeira geração (1922-1928)
Antecedentes do Modernismo
1912: Oswald na Europa (contato com Cubismo, Futurismo e Expressionismo);

1915: em Portugal, Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro fundam a revista Orpheu, na qual colabora Ronald de Carvalho;
Semana de Arte Moderna
“Por iniciativa do festejado escritor Sr. Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras, haverá em São Paulo uma ‘Semana de Arte Moderna', em que tomarão parte os artistas que, em nosso meio, representam as mais modernas correntes artísticas” (O Estado de São Paulo – 29/1/22)
Manifestos modernistas
Em 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922 ocorre a Semana de Arte Moderna.
Mário de Andrade publica uma série de críticas aos “passadistas”:
1917: se conhecem Oswald e Mario de Andrade;
“Malditos para sempre os Mestres do Passado! Que a simples recordação de um de vós escravize os espíritos no amor incondicional pela Forma! Que o Brasil seja infeliz porque vos criou! Que o universo se desmantele porque vos comportou!”
1921: exposição de Di Cavalcanti, durante a qual se dá o encontro do pintor com Graça Aranha, que retornava da Europa. Daí surge à ideia da Semana de Arte Moderna;
13/02/22 – primeira noite:

- Graça Aranha: “A emoção estética na Arte Moderna” – com poesias de Ronald de Carvalho e Guilherme de Almeida e música de Ernani Braga (satirizando Chopin);

- Ronald de Carvalho: "A pintura e a escultura moderna no Brasil";

- Ernani Braga e Villa-Lobos.
REPERCUSSÃO DA PRIMEIRA NOITE DA SAM
O ESTADO DE SÃO PAULO

São Paulo, 15/02/1922

“Ex.mos Srs. Membros do Comitê Patrocinador da Semana de Arte Moderna - Saudações.

Em virtude do caráter bastante exclusivista e intolerante que assumiu a 1ª festa de Arte Moderna realizada à noite de 13, no teatro Municipal, em relação às demais escolas de música das quais sou intérprete e admiradora, não posso deixar de aqui declarar o meu desacordo com este modo de pensar.
Sinto-me sinceramente contristada com a pública exibição de peças satíricas alusivas à música de Chopin.

Admiro e respeito as grandes manifestações de arte independentes das escolas a que se filiam, e foi de acordo com este meu modo de pensar que, acendendo ao convite que me foi feito, tomarei parte num dos festivais de Arte Moderna.

Com toda consideração,
Guiomar Novaes”
15/02/22 – segunda noite

- Guiomar Novaes (embora protestando contra a paródia de Ernani Braga);

- Menotti del Picchia: palestra sobre arte e estética – com poesias de Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Plínio Salgado (a estas poesias, o público reagia com miados e latidos);

- Ronald de carvalho lê “Os sapos”, de Manuel Bandeira, poema que é ironizado pelo público.
Os Sapos

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
— "Meu pai foi à guerra!"
— "Não foi!" — "Foi!" — "Não foi!".
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas:
— "Sei!" — "Não sabe!" — "Sabe!".

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Verte a sombra imensa;
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
— "A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo."
Lá, fugindo ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo cururu
Da beira do rio...
O meu verso é bom
Frumento sem joio
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."

Urra o sapo-boi:
— "Meu pai foi rei" — "Foi!"
— "Não foi!" — "Foi!" — "Não foi!"
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: — "Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos!

REPERCUSSÃO SEGUNDA NOITE DA SAM

FOLHA DA NOITE

São Paulo, 16/02/1922

“Foi, como se esperava, um notável fracasso, a récita de ontem da pomposa Semana de Arte Moderna, que melhor e mais acertadamente deveria chamar-se Semana de Mal - às artes.”
O LEGADO DA SAM
Revistas

Klaxon (SP): Mario e Oswald;
A Revista (MG): Drummond;
Festa (RJ): Cecília (anti-modernista).
Pau-Brasil (1924)
Oswald de Andrade, neste manifesto, pregava uma literatura extremamente vinculada à realidade brasileira, buscando um redescoberta do Brasil. Arte tipo “exportação”
Além disso, propunha a utilização de uma linguagem sem erudição e a valorização de elementos cotidianos de nossa cultura. De raiz, telúrica e primitiva.
Na música, o piano invadiu as saletas nuas, de folhinha na parede. Todas as meninas ficaram pianistas. Surgiu o piano de manivela, o piano de patas. A pleyela. E a ironia eslava compôs para a pleyela. Stravinski.
“A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos.
Houve um fenômeno de democratização estética nas cinco partes sábias do mundo. Instituíra-se o naturalismo. Copiar. Quadros de carneiros que não fosse lã mesmo, não prestava. A interpretação no dicionário oral das Escolas de Belas Artes queria dizer reproduzir igualzinho...
A estatuária andou atrás. As procissões saíram novinhas das fábricas.
Verde-Amarelo (1924) e Anta (1928)
Manifesto Antropófago (1928)
Formado por Guilherme de Almeida, Plínio Salgado e Menotti del Picchia, o grupo propunha uma proposta primitivista e ufanista, identificada com o Fascismo – a idolatria ao Tupi e à Anta como símbolo nacional.
Principais características:

Arte nacionalista ufanista;

Valorização elemento indígena;

Contra os estrangeirismo;

Caráter direitista (fascista, no Anta).
“O nacionalismo tupi não é intelectual. É sentimental.
Não combate nem religiões, nem filosofias, porque toda a sua força reside na capacidade sentimental.
Foi o índio que nos ensinou a rir de todos os sistemas e de todas as teorias.”
Veio a pirogravura. As meninas de todos os lares ficaram artistas. Apareceu a máquina fotográfica. E com todas as prerrogativas do cabelo grande, da caspa e da misteriosa genialidade de olho virado – o artista fotógrafo.
É uma extensão do manifesto Pau-Brasil, pregando a postura antropofágica, de aproveitamento das influências estrangeiras, porém adequadas à nossa realidade – vinculação com a postura do Tropicalismo.
O manifesto foi publicado no primeiro número da Revista de Antropofagia.
“Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago. ”
"Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas (...) a outra espécie é formada pelos que vêem anormalmente a natureza e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva.

(LOBATO, Monteiro. Paranóia ou mistificação In. Estado de SP, 1917)
“Há uma gota de sangue em cada poema” – Mário de Andrade;

“Cinza das horas” – Manuel Bandeira;

“Juca Mulato” – Menotti del Picchia;

"Nós" - Guilerme de Almeida.
Exposição de Anita Malfatti – Crítica de Lobato;
"Não sabemos o que queremos. Mas sabemos o que não queremos."
(ANDRADE, Oswald)
Apesar de toda repercussão negativa que obteve, é inegável que a SAM mexeu de forma definitiva com as estruturas artísticas da época.
- "a estabilização de uma consciência criadora nacional",

- "a atualização intelectual com as vanguardas";

- "o direito permanente de pesquisa e atualização estética".
Além disso, a SAM "significou também o atestado de óbito da arte dominante", ao propor:
Ainda durante a década de 20, alguns manifestos e revistas serão publicados, no intuito de propagar e dar continuidade à proposta de Arte vinculada à SAM:
Dentre as principais ideias do manifesto, podemos apontar:
- a junção do moderno e do arcaíco brasileiros
- a ironia contra o bacharelismo
"O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos. Comovente (...) a riqueza dos bailes e das frases feitas (...) Falar difícil.
- a luta por uma nova linguagem
"A língua sem arcaísmo, sem erudição. Natural e neológica. A contribuíção milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos (...) Contra a cópia, pela invenção e pela surpresa."
"O Carnaval é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões do Botafogo. A formação étnica rica. Riqueza vegetal."
- a descoberta do popular
Sobre a modernização das artes
Só não se inventou uma máquina de fazer versos – já havia o poeta parnasiano.”
- a retomada das raízes

“Tupy or not tupy, that is the question.”
Basicamente, o manifesto antropofágico propunha as seguintes teses:
- o humor como forma crítica

“Alegria é a prova dos nove.”
- a criação de uma utopia brasileira

"Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud - a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostutuições e sem penitenciárias do matriarcado do Pindorama."
- a postura antropofágica como alternativa entre o nacionalismo conservador e a cópia dos valores ocidentais

"Nunca fomos catequizados (...) Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará."

“Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.”
- postura crítica diante da realidade nacional

"Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente."
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