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Os Lusíadas - Canto IX

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O bando das quatros

on 23 May 2017

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Transcript of Os Lusíadas - Canto IX

Canto IX - Estâncias
52-53, 66-70, 88-95

Os Lusíadas - Luís de Camões
Canto IX
Difiuldades na Índia
são ultrapassadas;

Início da viagem de
regresso à pátria;

Vénus oferece a Ilha
dos Amores.
Estâncias 52

De longe a Ilha viram, fresca e bela,
Que Vénus pelas ondas lha levava
(Bem como o vento leva branca vela)
Pera onde a forte armada se enxergava;
Que, por que não passassem, sem que nela
Tomassem porto, como desejava,
Pera onde as naus navegam a movia
A Acidália, que tudo, enfim, podia.

Aparição da Ilha aos Nautas
Dupla adjetivação
:

Ex: fresca e bela

Dupla Adjetivação e Sensações (visuais):

Noção de beleza, frescura,
tranquilidade, deleite e prazer.




Aliteração do "v":

Ex: "vento" , "leva" , "vela"
Estância 53
Mas firme a fez e imóbil, como viu
Que era dos Nautas vista e demandada,
Qual ficou Delos, tanto que pariu
Latona Febo e a Deusa à caça usada.
Pera lá logo a proa o mar abriu,
Onde a costa fazia ũa enseada
Curva e quieta, cuja branca areia
Pintou de ruivas conchas Citereia.
Comparação
Entre a ilha de Delos (lugar sagrado) com o local de nascimento de Apolo e Diana
Síntese
Vénus desloca a ilha sobre as águas, segundo a sua vontade. Mais tarde torna-a imóvel.

Estâncias 66-70
Desembarque dos navegadores
66
Mas os fortes mancebos, que na praia
Punham os pés, de terra cobiçosos
(Que não há nenhum deles que não saia),
De acharem caça agreste desejosos,
Não cuidam que, sem laço ou redes, caia
Caça naqueles montes deleitosos,
Tão suave, doméstica e benina,
Qual ferida lha tinha já Ericina.
67
Alguns, que em espingardas e nas bestas,
Pera ferir os cervos, se fiavam,
Pelos sombrios matos e florestas
Determinadamente se lançavam;
Outros, nas sombras, que de as altas sestas
Defendem a verdura, passeavam
Ao longo da água, que, suave e queda,
Por alvas pedras corre à praia leda.
Descoberta das ninfas
68
Começam de enxergar subitamente,
Por entre verdes ramos, várias cores,
Cores de quem a vista julga e sente
Que não eram das rosas ou das flores,
Mas da lã fina e seda diferente,
Que mais incita a força dos amores,
De que se vestem as humanas rosas,
Fazendo-se por arte mais fermosas.
Exortação de Veloso (diálogo)
69
Dá Veloso, espantado, um grande grito:
– «Senhores, caça estranha (disse) é esta!
Se inda dura o Gentio antigo rito,
A Deusas é sagrada esta floresta.
Mais descobrimos do que humano esprito
Desejou nunca, e bem se manifesta
Que são grandes as cousas e excelentes
Que o mundo encobre aos homens imprudentes.
70
«Sigamos estas Deusas e vejamos
Se fantásticas são, se verdadeiras.»
Isto dito, veloces mais que gamos,
Se lançam a correr pelas ribeiras.
Fugindo as Ninfas vão por entre os ramos,
Mas, mais industriosas que ligeiras,
Pouco e pouco, sorrindo e gritos dando,
Se deixam ir dos galgos alcançando.
Início das perseguições

Caça de veados :

"Caça" (est.66, v.6)

"Pera ferir os cervos" (est.67, v.2)
Adjetivação

e

sensações Visuais:

"Fortes mancebos", "caça agreste", "montes deleitosos", "suave, domestica e benina"
"Sombrios matos e florestas", "verdura", "suave e queda" e "praia leda"
Ninfas
Os navegadores começam a avistar, entre as ramagens, cores que não são de flores mas
das vestes finas das ninfas, que as tornam
mais formosas.
Metáfora
As ninfas são encaradas a presas.
Os nautas são comparados a cães de caça enquanto as ninfas a presas.
Comportamento sedutor das ninfas descrito nos últimos quatro versos da estância.
Síntese
Descrição da natureza da ilha sagrada;

Estâncias 88-91
88
Assi a fermosa e a forte companhia
O dia quási todo estão passando
Nuã alma, doce, incógnita alegria,
Os trabalhos tão longos compensando.
Porque dos feitos grandes, da ousadia
Forte e famosa, o mundo está guardando
O prémio lá no fim, bem merecido,
Com fama grande e nome alto e subido.
89
Que as Ninfas do Oceano, tão fermosas,
Tétis e a Ilha angélica pintada,
Outra cousa não é que as deleitosas
Honras que a vida fazem sublimada.
Aquelas preminências gloriosas,
Os triunfos, a fronte coroada
De palma e louro, a glória e maravilha,
Estes são os deleites desta Ilha.
91
Não eram senão prémios que reparte,
Por feitos imortais e soberanos,
O mundo cos varões que esforço e arte
Divinos os fizeram, sendo humanos.
Que Júpiter, Mercúrio, Febo e Marte,
Eneas e Quirino e os dous Tebanos,
Ceres, Palas e Juno com Diana,
Todos foram de fraca carne humana.
90
Que as imortalidades que fingia
A antiguidade, que os Ilustres ama,
Lá no estelante Olimpo, a quem subia
Sobre as asas ínclitas da Fama,
Por obras valerosas que fazia,
Pelo trabalho imenso que se chama
Caminho da virtude, alto e fragoso,
Mas, no fim, doce, alegre e deleitoso,
Compensação dos trabalhos longos - repouso
Explicação do significado da ilha
A desmitificação dos mitos
Local idílico (importância da cor)
Comparação
"Que Vénus pelas ondas lha levava" (est. 52)
" Mas firme a fez e imóbil, como viu/Que era dos Nautas vista e demandada" (est. 53)
Ínicio do processo de divinização do herói, pois há interação entre os navegadores e as ninfas;
Encontro entre o plano mitológico e o plano da viagem;
Etapa final da viagem, vista como prémio pelos feitos dos portugueses;
Significado da ilha
" ... as deleitosas/Honras que a vida fazem sublimada."
(est. 89, v.3-4)
Prémio:
A imortalidade que os Antigos atribuiam aos heróis era a merecida recompensa por terem sabido seguir o "Caminho da virtude, alto e fragoso,/Mas no fim, doce, alegre e deleitoso".
(est.90, v. 7-8)
Estâncias 92-95
Conselhos do poeta
92
Mas a Fama, trombeta de obras tais,
Lhe deu no Mundo nomes tão estranhos
De Deuses, Semideuses, Imortais,
Indígetes, Heróicos e de Magnos.
Por isso, ó vós que as famas estimais,
Se quiserdes no mundo ser tamanhos,
Despertai já do sono do ócio ignavo,
Que o ânimo, de livre, faz escravo
93
E ponde na cobiça um freio duro,
E na ambição também, que indignamente
Tomais mil vezes, e no torpe e escuro
Vício da tirania infame e urgente;
Porque essas honras vãs, esse ouro puro,
Verdadeiro valor não dão à gente:
Milhor é merecê-los sem os ter,
Que possuí-los sem os merecer.

94
Ou dai na paz as leis iguais, constantes,
Que aos grandes não dêem o dos pequenos,
Ou vos vesti nas armas rutilantes,
Contra a lei dos imigos Sarracenos:
Fareis os Reinos grandes e possantes,
E todos tereis mais e nenhum menos:
Possuireis riquezas merecidas,
Com as honras que ilustram tanto as vidas.
95
E fareis claro o Rei que tanto amais,
Agora cos conselhos bem cuidados,
Agora co as espadas, que imortais
Vos farão, como os vossos já passados.
Impossibilidades não façais,
Que quem quis, sempre pôde; e numerados
Sereis entre os Heróis esclarecidos
E nesta «Ilha de Vénus» recebidos.
Exortação
Dirigida aos que querem imortalizar o seu nome, ou seja, tornarem-se famosos.
Condições para se ser herói
despertar do ócio;

refrear a ambição e cobiça;

recusar o "torpe e escuro vício da tirania";
ser justo em tempo de paz;

não dar aos grandes o que é dos pequenos;

ser valente na guerra contra os Mouros;
Outra condição para se ser herói é aconselhar e
glorificar o Rei
Não vale a pena arranjar desculpas porque seguindo e glorificando o Rei, serão reconhecidos como heróis
Condição de herói
Associa-se a recompensa
Questões da página 247
2. A Fama desempenha um papel fundamental no processo da imortalidade dos heróis (“Lhe deu mo mundo nomes (…)/ De Deuses, Semideuses, Imortais”), pois é a Fama que eleva os heróis ao Olimpo (“Lá no estelante Olimpo, a quem subia/ Sobre as asas ínclitas da Fama”), que divulga os grandes feitos (“trombeta de obras tais”). Segundo o poeta, o verdadeiro caminho para atingir a Fama, e por sua vez, a imortalidade, é através da desperta do “ócio ignavo” que escraviza a alma; da recusa da cobiça, ambição e do “torpe e escuro vício da tirania”; sendo justo, não dando aos grandes o que é dos pequenos; defendendo a Fé Cristã, lutando contra os “Sarracenos”; e apoiando e defendendo o Rei e o reino.
1. Ao serviço da apresentação dos conselhos está o modo imperativo (“ Despertai” e “ Ponde”), no entanto, não exprime uma ordem, mas constitui sim uma exortação aos portugueses, pois apontam para as ações que devem cometer para atingir a Fama.
3- Nas estâncias 89 e 90, as expressões “ilha angélica pintada”, “deleitosas honras”, “preminências gloriosas ”, “triunfos”, “glória e maravilha” e “deleites” interpelam-nos para o grande significado da ilha, o seu carácter divino, glorioso, maravilhoso e deleitoso. Sendo esta o prémio pelos trabalhos do povo lusitano.
4- Na estância 91 existe referência a várias divindades tais como Júpiter, Mercúrio, Apolo, Marte, entre outras porque todos eles foram
5- A mitificação dos navegadores é realizada através da referência que o poeta faz aos deuses na estância 91. O facto de os deuses não serem humanos e terem concretizado feitos tal como os portugueses concretizaram, torna os portugueses superiores, mitificando-os.
6.
6.1- Os conselhos do poeta são dirigidos àqueles que querem imortalizar o seu nome, ou seja, tornarem-se famosos. Para tal acontecer é preciso dominar o ócio, refrear a cobiça e a ambição, recusar o vicio da tirania, ser justo e igualitário, participar na luta contra os mouros e glorificar e aconselhar o Rei.
6.2- Ao serviço da apresentação dos conselhos está o modo imperativo (“ Despertai” e “ Ponde”), no entanto, não exprime uma ordem, mas constitui sim uma exortação aos portugueses, pois apontam para as ações que devem cometer para atingir a Fama.

6.3- Se os conselhos do poeta forem concretizados, os indivíduos serão reconhecidos como heróis, e a esta condição associa-se uma recompensa, sendo no caso do povo português a Ilha dos amores.
1.2. Através da dupla adjetivação ("fresca e bela"/"firme (...) imóbil"/"curva e quieta") ,o poeta direciona-nos para um campo semântico de visão, ou seja, é nos transmitido diferentes e variadas sensações visuais.
1.
1.1. O facto de a ilha ser móvel, ser de origem divina (criada por Vénus-deusa do amor) e de ser um local idílico, faz com que seja atribuido à ilha um carácter de excecionalidade.

2.
2.1. Após a aparição da ilha, a descrição centra-se nos navegadores portugueses que desembarcam na ilha criada por Vénus que é colocada no seu caminho de propósito.



2.4. Os navegadores avistam, finalmente, as "humanas rosas", ou seja, as mulheres oferecidas por Vénus -ninfas ("Fugindo as ninfas").
2.3. A atenção dos marinheiros é dirigida para todos os lados, como se demonstra no facto de uns irem pela floresta e matos enquanto outros iam pela praia ("pelos sombrios matos e florestas", " defendem a verdura, passeavam (...) praia leda").
2.2. Os portugueses ("mancebos"), recorreram às armas para ferir os cervos (veados), ou seja, para caçarem ou para se defenderem na floresta.
Questões da página 245
3.2. Veloso é um dos navegadores da frota que ruma à Índia e é merecedor de uma atenção particular. O poeta individualiza e caracteriza-o, apontando para a humanização dos navegadores, e provocando uma rutura com a serenidade da exaltação épica dos heróis, através da sua ação. No canto V, protagoniza um episódio que suscita o humor, ignorando o perigo e quando se vê alvo de chacota pelos companheiros mantém a sua postura de herói destemido. O mesmo sentido de humor é reafirmado no canto IX, depois dos navegadores terem desembarcado na Ilha e terem avistado as ninfas. Veloso dá um grito de espanto e aconselha os outros a seguirem as deusas, com intuito de verificarem "se fantásticas são, se verdadeiras".
3.
3.1. O locutor do discurso é Veloso.

3.3. Nesta parte do episódio prepara-se a divinização do herói (os portugueses) através da relação entre as ninfas e os nautas, por isso o facto de as ninfas, seres de origem divina, se oferecerem aos portugueses, dá a estes um carácter também divino.
4. Nesta passagem textual, parte da epopeia, manifesta-se a dimensão épica, por outras palavras a glorificação do herói, através do prémio de Vénus, estando esta afeiçoada aos Lusos e depois de recordar os trabalhos e perigos sofridos pelos Portugueses nos mares, recompensa-os, dando-lhes no mar alegria, repouso e deleite, na iIlha dos Amores, onde as ninfas os receberão e os recompensarão amorosamente por todos os sacrificios vividos, todos os outros nautas se unem às ninfas em encontros amorosos, concretizando-se assim a união humano-divino (por outras palavras o herói é divinizado, glorificado).
de fraca carne humana enquanto os portugueses não. Camões não pensa que os deuses tivessem existido como pessoas, diz é que os divinos (ilustres, nobres) são tão humanos como os outros e que estes também pelos seus feitos podem chegar a divinos.
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