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Ricardo Reis - "antes de nós nos mesmos arvoredos"

analise do poema
by Humanidades E12 on 24 May 2013

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Transcript of Ricardo Reis - "antes de nós nos mesmos arvoredos"

Antes de nós nos mesmos arvoredos Antes de nós nos mesmos arvoredos
Passou o vento, quando havia vento,
E as folhas não falavam
De outro modo do que hoje.

Passamos e agitamo-nos debalde.
Não fazemos mais ruído no que existe
Do que as folhas das árvores
Ou os passos do vento.

Tentemos pois com abandono assíduo
Entregar nosso esforço à Natureza
E não querer mais vida
Que a das árvores verdes.

Inutilmente parecemos grandes.
Salvo nós nada pelo mundo fora
Nos saúda a grandeza
Nem sem querer nos serve.

Se aqui, à beira-mar, o meu indício
Na areia o mar com ondas três o apaga.
Que fará na alta praia
Em que o mar é o Tempo?


8-10-1914 Análise formal do poema Uso da quadra
Regularidade métrica Relação que se estabelece entre o "nós"
e os elementos da natureza referidos Uma similitude de condições que decorre da participação da mesma realidade perene.
«Não fazemos mais ruído no que existe / Do que as folhas das árvores / Ou os passos do vento» (vv. 6-8); Uma dissimilitude de condições que decorre da finitude e da transitoriedade que caracterizam o homem e a sua consciência do tempo; («Passamos» (v. 5) e da O Ruído das folhas das árvores e da passagem do vento é tão insignificante quanto a agitação do homem; A natureza, concretizada nos arvoredos assiste impassível à passagem dos homens; «Antes de nós nos mesmos arvoredos / Passou o vento, quando havia vento» (vv. 1-2); É como que uma permanência que se opõe à transitoriedade da vida humana. È também de assinalar que o sujeito coletivo “nós” se distancia da natureza, na medida em que a voz poética traduz a perceção das consciência humanas da passagem do tempo e da inutilidade do esforço do homem, enquanto os elementos naturais permanecem passivos a esta consciência. Justificação do uso de um sujeito plural
e de um sujeito singular ao longo do poema Nas quatro primeiras estrofes do poema, refere-se a um destino comum a todos os homens, através do recurso a um sujeito plural. («nós» v. 1), «Passamos» v. 5, «agitamo-nos» v. 5, «Não fazemos» v. 6, «Tentemos» v. 9, «nosso» v. 10, «parecemos» v. 13, «nós» v. 14, «Nos» v. 15, «nos» v. 16). Na última estrofe, evoca-se a situação particular do «eu» e refere-se a experiência directa da fugacidade da vida e da passagem inexorável do Tempo, através do recurso a um sujeito singular de primeira pessoa. («o meu indício» v. 17) -em cada estrofe os dois primeiros versos são: Versos decassílabo -em casa estrofe os dois últimos versos são: Versos Octassílabos Recursos expressivos presentes no
poema «Se aqui, à beira-mar, o meu indício /Na areia o mar com ondas três o apaga./ Que fará na alta praia /Em que o mar é o Tempo?»
(vv.17-18) «Em que o mar é o Tempo?» Versos brancos Interrogação retórica Enunciação de uma pergunta retória com o fim de conferir maior ênfase à questão. A pergunta retórica traduz uma reflexão sobre o valor da vida humana perante o poder do tempo. Assim, tal como as pegadas deixadas na areia são facilmente apagadas pelas ondas do mar «Se aqui, à beira-mar, o meu indício /Na areia o mar com ondas três o apaga.»(vv. - 17-18) a existência humana será sempre apagada pela passagem do tempo. «Que fará na alta praia / Em que o mar é o Tempo?»
(vv. 19-20) e ambas - pegas e existência - se revelam transitórias e submetidas ao poder de forças que lhes são superiores. «Antes de nós nos mesmos arvoredos / Passou o vento, quando havia vento / E as folhas não falavam / De outro modo do que hoje.»
(vv. 1-4) «E as folhas não falavam / De outro modo do que hoje.» Personificação
ou
Prosopopeia Atribuição de qualidades, sentimentos ou ações específicas dos seres inanimados, abstratos ou animais. Em suma: A interrogação retórica que remete para a consciência que o «eu» possui da fugacidade da vida e que releva o fosso existente entre a pequenez humana. O poema é uma lição de abnegação e essa lição significa uma tentativa de encontrar a felicidade, pois a vida humana rege-se pelas leis que regem o universo - estas caracterizam-se pela efemeridade que subjaz a qualquer ciclo regenerador. Os arvoredos aparecem como um espaço fixo; a linguagem das folhas é também intemporal. Características de Ricardo Reis presentes no poema O sujeito poético propõe uma visão pagã da existência e defende a integração do Homem na Natureza, constatando a brevidade e a efemeridade da vida humana. A renúncia à acção, pelo reconhecimento da inutilidade da mesma (influência das filosofias epicurista e estóica) surge como a única atitude que conduz à tranquilidade.
Trabalho realizado por: Jenny Santos 12ºE

nº9 Professora: Paula Martins Alexandre Português Escola Básica e Secundária de Salvaterra de Magos
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