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HIP-HOP, BRANQUITUDE E MESTIÇAGEM: REFLEXÕES PARA UMA LUTA A

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by Jorge Miranda on 5 November 2013

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Transcript of HIP-HOP, BRANQUITUDE E MESTIÇAGEM: REFLEXÕES PARA UMA LUTA A

Problema
No diversificado repertório da música Rap brasileira encontramos rico material para reflexões sobre limites e potencialidades na luta pela superação do racismo. Várias canções apresentam problemáticas instigantes para a compreensão do tema. Na Música Lavagem Cerebral, o rapper Gabriel O Pensador canta: “Branco no Brasil é difícil porque no Brasil somos todos mestiços”. Gabriel em nenhum momento da canção faz menção a sua posição de branco, e seu verso soa como uma quase afirmação de que não existem brancos no país.
Metodologia
A pesquisa qualitativa será de cunho documental. A análise se dará através de letras de Rap publicadas na internet, de artistas de fenótipo branco com certo reconhecimento profissional.

Adotaremos como critério fenotípico para escolha dos artistas brancos, aqueles(as) que tiverem pele clara e cabelo liso.
Objetivo Geral
Analisar e compreender a problemática da branquitude e mestiçagem através das letras de rappers brancos.
Justificativa
Durante o período de desenvolvimento da música Rap no país, surgiram rappers brancos, com carreira individual ou em grupo, fazendo eclodir incômodos e questionamentos sobre a legitimidade dos mesmos em se apropriarem desse estilo musical. Tal fato deve ser considerado discriminação? O que dizer do rapper branco que se identifica com a negritude e passa a se autoclassificar como negro? Por outro lado o que representa a postura daqueles que se autodeclaram brancos e questionam o racismo a partir do lugar de privilégio que reconhecem e ocupam?


Esses e outros assuntos no campo das relações raciais ainda geram melindre no universo H2 e poucas vezes foram encarados de modo objetivo, apontando assim para necessidade de maior aprofundamento e reflexão. Nesse caminho é coerente mergulhar nos estudos sobre branquitude e mestiçagem enquanto engrenagens de uma mesma máquina reprodutora de desigualdades raciais.
HIP-HOP, BRANQUITUDE E MESTIÇAGEM: REFLEXÕES PARA UMA LUTA ANTI-RACISTA

A idéia de mestiçagem faz com que muitos indivíduos brancos não se reconheçam como tal, neguem sua posição histórica de privilégio adotando um posicionamento omisso frente as desigualdades raciais. Acabam por acreditar, majoritariamente de modo não declarado, que tal desigualdade se justifica por inferioridade do negro.


Para CARDOSO (2010:610):
(...) branquitude enquanto tema tornou-se uma emergência recente na investigação científica brasileira. Lembrando que a investigação e análise sobre a identidade racial branca procura problematizar aquele que numa relação opressor/oprimido exerce o papel de opressor, ou por outras palavras, o lugar do branco numa situação de desigualdade racial. (...) Vale lembrar que a teoria anti-racista, de maneira geral, tem restringido em pesquisar o oprimido, deixando de lado o opressor. (...) De modo breve gostaria de dizer que as pesquisas sobre a branquitude ao focar o branco em suas pesquisas, não propõem que se negligenciem as pesquisas a respeito da negritude, e sim, chamam a atenção e procuram preencher uma lacuna nas teorias das relações raciais.

Por que escolhi esse tema?
A escolha do tema vem em função do desejo de pesquisá-lo e problematizá-lo a partir do lugar ao qual vivencio e tenho propriedade pra falar enquanto artista e ativista do Hip-Hop. Considero relevante pela sua emergência na historiografia brasileira, tanto no que se refere a contemporaneidade do tema branquitude, como na colaboração do Hip-Hop enquanto expressão artístico-cultural que atua na perspectiva de luta anti-racista. As reflexões sobre esses assuntos podem contribuir para uma maior visibilidade da questão, buscando sensibilizar indivíduos brancos, dentro e fora do Hip-Hop, os encorajado a perceberem sua posição de privilégio e a se sentirem responsáveis em contribuir na busca de uma sociedade igualitária.


Já os rappers do grupo paulista Filosofia de Rua, que se autodeclaram brancos, na música intitulada A Cor da Pele, criticam o racismo e as conseqüências desastrosas para a população negra, afirmam que não é todo branco que é culpado, mas, no entanto em nenhum momento fazem menção a condição de privilégios que possuem, ainda que involuntários. A noção de privilégio é indispensável para compreender as teorias sobre racismo (BENTO, 2002b, p. 28). Nesse sentido, o rapper de pseudônimo Preto Du, vocalista do grupo baiano Simples Rap’ortagem, canta na música Denegrida: “Sou Eduardo Filho que no trilho racial, é branco no nome e privilégio social”.


Vale destacar um fato curioso, quando se refere ao universo da negritude é comum o discurso de que “o negro é racista com o próprio negro”, porém em sentido oposto não é freqüente vermos a mesma afirmação para o campo da branquitude, ou seja, “o branco é racista com o próprio branco” mesmo quando se constata discriminação entre os mesmos, como por exemplo, no caso dos rappers Cabal e Suave, ambos brancos que se hostilizam através de duelos musicais fazendo menções a cor da pele, olhos claros e sua condição social. Estarei analisando algumas obras musicas de rappers brancos que poderiam se enquadrar nessa lógica, buscando entendimento para esse fenômeno.


As análises devem nos encaminhar para a compreensão das seguintes questões: O que faz alguns artistas do hip-hop considerados brancos em seus fenótipos, se alto declararem negros? Quais as conseqüenciais de tal posicionamento? É um problema se assumir branco? Que impacto uma mudança de postura pode ter ao reconhecerem-se como brancos detentores de privilégios sociais? Nessas condições, em que medida os rappers brancos podem contribuir para a superação do racismo?
Objetivos Específicos
• Contribuir com os estudos sobre branquitude na UNEB e no Brasil;
• Contribuir no universo acadêmico para os estudos sobre Hip-Hop produzidos pelos próprios ativistas do movimento.

Na sequencia desenvolveremos o tema branquitude através da ótica de diferentes autores e a importância do mesmo para o fortalecimento da luta anti-racista. No passo seguinte contextualizaremos o hip-hop brasileiro, tratando de demonstrar e discutir como a questão da mestiçagem e branquitude aparecem nas produções e depoimentos de artistas do Hip-Hop, especificamente na música Rap.
Utilizaremos os conceitos de branquitude crítica e branquitude acrítica de (LOURENÇO, 2010:607) para exemplificar os referenciais dos mesmos na postura de Rappers brasileiros. Segundo ele:
Além dos já citados, analisaremos outros ícones do Hip-Hop no país, possuidores de fenótipo branco, como:
Definiremos aproximadamente cinco desses artistas para obter e analisar suas histórias de vida. Em seu livro “Hip-Hop: Dentro do Movimento”, Alessandro Buzo, faz a seguinte pergunta ao rapper paulista conhecido como Cabal: “Você é branco, nasceu na classe média, viveu nos Estados Unidos. Quando entrou pro cenário rap nacional sofreu algum tipo de discriminação?” A resposta do mesmo, bem como o capítulo Rappers Pretos VS. Rappers Brancos do livro “Acorda Hip-Hop”, servirão de importante análise para nós. Como técnica de investigação, no que se refere a branquitude nos apoiaremos nas emergentes publicações científicas em torno desse tema, bem como nas produções referenciais sobre a questão da mestiçagem.
Referências

De Leve
Gaspar
Cabal (C4)
Rapper Suave
DJ Alpiste
Flora Matos
Lurdez da Luz
Nathy MC
MC Gra
DeDeus MC
MC P.A
Lívia Cruz
Dina Di
Rubia
Branquitude é uma condição de privilégio herdado pelas pessoas brancas, fruto da representação dessa raça como modelo universal de humanidade. Porém só uma minoria dos brancos consegue perceber e admitir esse privilégio.
A branquitude crítica refere-se ao indivíduo ou grupo branco que desaprovam publicamente o racismo. Enquanto que a branquitude acrítica refere-se a branquitude individual ou coletiva que sustenta o argumento em prol da superioridade racial branca.
A COR DA PELE
Filosofia de Rua.

Hoje em dia realmente é bem diferente
o homem branco é muito mais consciente
nas coisas que faz, vê, escuta e fala
a cor da pele não influi em nada
eu raciocino como negro, por fora a minha pela é clara
tem muito preto original que não diz nada com nada (...)
pra ser mais sincero enxergo o sofrimento
dessa raça falida, sofrida, oprimida
que luta para ter uma vida digna
mas existe negro que não se conscientiza
se eu fosse um burguês não estaria aqui
desabafando pra tentar as raças unir
então batam na minha cara se eu estiver errado
eu tenho a pele clara mas eu não sou culpado
de toda a sujeira que a raça branca fez no passado

Denegrida
Preto Du (Simples Rap’ortagem)

Privilégio, no colégio
Na saúde, no comércio
Eu tenho porque tenho pele branca
E quem tem e não se manca
Mente pra si mesmo e se engana
Com a historia de primário e insana
Se tem negros completamente embranquecidos
Sou um branco completamente denegrido
(...)
“Mais negro que muitos negros”, na moral
Se eu falasse isso, me sentiria irracional
Sou Eduardo Filho que no trilho racial
É branco no nome e privilegio social

100 Barras
Cabal

Frustrado, sem amor, seu som não tem valor
Por isso sempre ficou na sombra do Pensador
Calo seu latido, Dogão
Sou o branco do Rap, você foi substituído tipo o Provão
E eu não to sozinho, to com o Time, só, não
Time só de campeão, esse é o Time PRO, jão
Posso não ser rico, nem famoso
Que nem você que vive de mesada(...)
Eu te achava engraçado alí no Jigaboo
Mas agora é só engraçadinho tipo Pikachu
Diss pra tu? Não, escuta aqui, Lassie
Você só merece desprezo, puta, me esquece
(...)
Eles falam mal, falam: ele é muito gringo
Elas falam uau, falam: ele é muito lindo

2° diss p/ Cabal
Suave

Esse som é louco as mina pede bis
Meu rap é tipo soco vai direto no nariz
Cê quis, eu fiz a diss e assumo
Seu rap é uma droga, nego bola e vira fumo
Sem rumo você não sabe nem o que cê quer
Então não vem pagando nem tirando de Mané
Qualé, até Ali Babá tem mais ladrões
Com essa pele branca sua banca é Sete Anões(...)
Eu tenho pena de você desse olhinho azul
Mano leva com você tenho um ursinho pul
E não começa, não conversa que tu não agüenta
Eu sei porque você não foi chamado pra Fazenda
Não põe a culpa na Maria Clara mentiroso
Você não foi porque cê não é rico, nem famoso
Quem é Cabal? Ninguém conhece nem ouviu falar
Você não foi porque já tinha um viado lá
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